As vidas do Ruy


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Na sua crônica, na edição da Folha de S. Paulo de 25/11/16, Ruy Castro, consagrado escritor, biógrafo e cronista, não sem uma pitadinha de refinada ironia, relata algumas revelações que colhera a respeito de volta a vidas passadas. 
 
Não aludiu a qualquer implicação de espíritas no assunto, talvez por informado de que este tipo de terapia ou curiosidade não diz respeito ao Espiritismo, daí haver se referido a “terapeutas especializados”. 
 
A Doutrina Espírita não inclui nem a “terapia de vidas passadas”, nem a simples regressão curiosa, conquanto respeite aqueles que se especializam no mister, desde que com formação nas áreas pertinentes, ainda que cobrem honorários, visto que são profissionais, podendo até ser espíritas. 
 
Todavia, vale lembrar que, mesmo que tal prática seja eminentemente espiritual, o Espiritismo jamais ensinou que, submetido à terapia, o paciente vai limpando as causas de seus atuais sofrimentos. 
 
Protagonizar vivências passadas, possibilidade que a ciência consagra, pode até aliviar sofrimentos na atual existência, mas não exime o paciente de responsabilidade pelos atos praticados em detrimento do próprio bem-estar. Somente a ação no bem, eliminará da sua consciência os remorsos resultantes do mau uso do livre-arbítrio. Já o dissemos, eficaz somente a aplicação da receitinha dos três itens sublimes: perdão, caridade e fé raciocinada. Disse Pedro: “O amor cobre multidão dos pecados”. E não nos esqueçamos de que o esquecimento do passado é uma bênção.
 
Felipe Salomão
bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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