O Sindicato dos Sapateiros de Franca pediu na Justiça a penhora de bens das fábricas de calçados BBT e Montelli. A decisão foi tomada para garantir que as empresas cumpram com o pagamento de todos os funcionários que, segundo o presidente da entidade, Sebastião Ronaldo, estão com salários em atraso. As duas fábricas contam com aproximadamente 160 funcionários.
De acordo com Ronaldo, a BBT, que fica no Jardim Paulistano, não fez o acerto dos trabalhadores demitidos. “Além disso, vemos uma questão de má fé, com relação à propriedade da empresa”, disse. O sindicalista disse que o empresário teria passado a empresa para o nome de terceiros. “Na hora de fazer o pagamento, vão jogando a culpa um para o outro”, disse.
Em relação à Montelli, o presidente afirmou que a fábrica parou a produção e dispensou todos os funcionários para ficarem em casa, mas sem demiti-los ou pagar o salário devido. “No caso da Montelli vemos outra realidade. A produção parou e os funcionários estão em casa há aproximadamente 15 dias, porém não foram demitidos nem estão de férias. O salário do mês e o 13º estavam em atraso, mas após negociações, os proprietários pagaram hoje (ontem) o 13º e se propuseram a realizar uma listagem de todo o maquinário para garantir o direito dos sapateiros. Vemos a vontade do proprietário de garantir o pagamento, mesmo que estejam enfrentando uma situação complicada agora”, disse Ronaldo.
No final da tarde de ontem, o Ministério do Trabalho concedeu a apreensão das máquinas da BBT, que devem ser retiradas por um Oficial de Justiça do local.
“Não temos conhecimento de mais empresas nesta situação, mas fomos informados de algumas que estão enfrentando dificuldades para pagar a segunda parcela do 13º e, se elas não cumprirem o prazo determinado, vamos trabalhar para assegurar sempre os direitos dos trabalhadores”, finalizou o sindicalista.
Ameaças
Após os problemas enfrentados na BBT, a ex-mulher de um dos sócios da empresa calçadista registrou um boletim de ocorrência por ameaça, na Delegacia de Defesa da Mulher. Segundo ela, os sócios têm dinheiro para pagar os funcionários, mas desavenças entre eles estariam prejudicando o processo. “A fábrica está no meu nome, mas não tenho participação na empresa. Eu era casada com um dos sócios, mas ele sumiu e agora estou recebendo ameaças de morte”, disse ela. O caso deve ser investigado pela Polícia Civil
Outro lado
Durante toda a manhã e tarde de ontem a reportagem tentou contato com os proprietários das duas empresas, por telefone fixo e celular, mas ninguém atendeu ou retornou o contato feito até o fechamento desta edição.
Colaborou Cássio Freires, da rádio Difusora
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.