Crime chocante e o uso de drogas


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Uma das mais chocantes notícias publicadas nos últimos tempos pelo Comércio causou verdadeira comoção na cidade. O pintor Denny de Queiroz, 36, matou e esquartejou o corpo de Ana Cláudia Abib, 40. O assassino desovou partes do cadáver em dois lugares diferentes: em mata na avenida das Seringueiras e na Chave da Taquara, perto d Cristais Paulista. Depois de preso, diante dos repórteres, com um semblante inexpressivo, ele confessou ter matado Ana Cláudia, com quem se relacionou por um ano e meio e estava separado há três meses. Dizendo-se humilhado pela ex-mulher, o assassino confesso culpa o uso de drogas por sua atitude. Assim ele justifica o ato: “acho que foram a falta de sanidade, substância (droga) na cabeça e o demônio no corpo. Não queria, mas não tive outra saída”.
 
Não há como, diante deste fato, deixar de exigir ações mais efetivas no combate ao tráfico e uso de drogas. Não se concebe um ser humano — se podemos chamá-lo assim — relatar tal crime hediondo e torpe com a passividade de Danny, Assim, fica claro que as drogas não prejudicam apenas o viciado, mas também toda aqueles que o cercam, que passam a viver sob um risco permanente. Quem se deixou dominar por entorpecentes como o crack perde totalmente o sentido de decência, moral e a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Torna-se um autômato que só se preocupa com a próxima dose, nem que para isso seja necessário roubar, ferir, mutilar ou matar. É só a droga que importa. A droga é o grande mal dos nossos tempos e os aparatos de segurança ainda não encontraram uma forma de combater com eficácia o tráfico, responsável pelo financiamento do crime organizado que deixa nossas autoridades de joelhos.
 
Enquanto houver defensores só do internamento voluntário de viciados em entorpecentes, insurgindo-se contra o internamento compulsório, estaremos condenados a acompanhar fatos como o registrado em Franca. O nosso Código Penal precisa receber uma atualização urgente, contemplando crimes com penas realistas. Só assim a Justiça será feita neste País. Porque, mesmo diante deste crime hediondo, se condenado Denny não deverá ficar mais de 30 anos na cadeia. Ele não merece viver entre os seres humanos, já que pertence à categoria dos monstros que se multiplicam na crônica policial. O que não se entende, ainda hoje, como é que há quem considere assassinos hediondos como “vítimas do sistema”. Em razão de sua ação, pode-se dizer que é o contrário: o sistema é que vem sendo vítima destes bandidos que, mesmo após a prisão, não apresentam nenhum remorso. Por isso, não merecem complacência ou pena. Nem se beneficiar de disposições legais que lhe reduzam o tempo na cadeia. Teriam que ser sentenciados à prisão perpétua.
 
 
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