Bolo e velas


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Se há uma coisa que não pode faltar em aniversário é  bolo. Pode ser um bolinho simples ou um bolão confeitado. O importante é que seja um bolo e tenha velas para que, antes de apagá-las, o aniversariante possa cantar com seus convidados a cantiga que se aprende desde muito cedo: “Parabéns a você/ Nesta data querida/ Muitas felicidades/ Muitos anos de vida!”
 
A melodia é sempre a mesma, mas a letra varia de acordo com o país. Em Portugal cantam assim: “Hoje é dia de festa/ Cantam as nossas almas/ Para o Fulano de Tal/ Uma salva de palmas!” Na França a tradução  dos versos seria assim: “ Feliz aniversário/ Nossos melhores desejos/  Que estas flores lhe tragam/ Muitas felicidades”. Na Espanha temos o  equivalente : “Feliz em seu dia/ Amiguinho/ Que Deus te abençoe/ Que reine a paz em seu dia/ E faça muitos aniversários”. 
 
Mas há letras bem diferentes em outras culturas. Os poloneses cantam: “Que a estrela da prosperidade/ Nunca se apague, nunca se apague/ E que nesta nova vida/ Brilhe ainda mais!” Os dinamarqueses: “Como ele sorri/ Como ele está feliz/ Urra!Urra!Urra!/ Mas este dia também  é muito legal/ Em casa esperam com bolos/ O Fulano de Tal”. Os noruegueses: “Sim, você vai felicitar!/ Todos em círculo estamos/  Eis que agora marchamos/ Agora vamos mesmo celebrar!”
 
Mas de onde teria vindo este hábito de comemorar  com bolo e velas o aniversário de uma pessoa? Muito provavelmente da Grécia Antiga, aquela dos mitos. A deusa Artemis, ligada à fertilidade, era  festejada pelos gregos com um preparado de mel e pão, no formato de uma lua cheia. Todos os meses eles levavam este alimento  ao famoso templo de Éfeso, onde a deusa era especialmente cultuada.
 
Para outros especialistas  a tradição teria surgido  na Alemanha, onde  antigamente se  costumava preparar uma massa de pão doce, em formato  arredondado,  no Natal. Com o passar do tempo,  a guloseima  foi  adaptada para a comemoração do aniversário de crianças.
 
Quanto ao uso  de velas, não restam dúvidas, foi herdado do culto aos deuses antigos.  Elas  tinham a missão de levar, por meio da fumaça, os desejos e as preces dos fiéis até o céu, para que  fossem atendidos. Das cerimônias religiosas passaram às festas profanas, como aconteceu ao bolo. E a fumacinha das velas também tem a função de levar ao alto os desejos do aniversariante. 
 
Embora não saibam exatamente quando a tradição surgiu, os historiadores sabem que a festa já era conhecida na Antiguidade. “Os romanos não apenas comemoravam o dia do nascimento como tinham um nome para a festa: “dies sollemnis natalis”, diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas. “Há, por exemplo, um registro do século 2 em que uma cidadã chamada Cláudia Severa convida sua amiga Sulpícia Lepidina para a comemoração”, diz.

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