Lá fora os pingos grossos começam a recrudescer na calçada; um vento morno chega pelas fretas da janela..
Das coisas de dezembro o meu coração sempre reconhece.
O cheiro característico da terra molhada no verão, do asfalto brilhante e da grama verde dos caminhos nos campos.
Das coisas de dezembro, sempre fico ouvindo o barulho da chuva na janela e a tranquilidade do quarto à meia luz.
Esta aura de coisas finalizadas, de tempo de recomeços, de gentilezas trabalhadas, destas coisas de dezembro.
Caminhamos todos para finalizar e recomeçar em dezembro.
Das coisas de dezembro que marcam profundo o nosso coração.
De repente, chove e faz sol, frio ou calor, e fico observando esta brisa de primavera e de fim de ano, de tempo parado de todo dezembro.
Das coisas de dezembro, vêm as lembranças de festas outras e de planejamentos lúdicos.
Das coisas de dezembro, quando tudo pede alegria, agora percebo que temos que construí-la de novo.
Das coisas tristes e felizes de dezembro. Das coisas e pessoas de dezembro.
Da vida insana de um ano todo.
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