Para Iriçanga Marques
O córrego das Pedras brota lá no alto, pertinho do topo da Serra Saudade. Surge raquítico, entre pedras e moitas. Burila, lavra e lavra pedras. Nesse labor, percorre caminhos tortuosos morro abaixo. Depois, desliza vagaroso pela fralda da serra, lavando roupas, utensílios, alimentando plantas, bichos e homens. Desavisadamente, despenca de altura colossal. Ao tingir o solo, continua sua faina de limar e tornear pedras. Então caminha pela campina, observando a paisagem: árvores solitárias em meio ao capim gordura, ao capim Jaraguá. Um pouco adiante, cochila em remansos. Revigorado, caminha sereno e resoluto.
E o Córrego das Pedras se entrega ao colo do Rio Grande.
O Córrego das Pedras é-me, sempre, rio caudaloso que corre dentro de mim. Rio de memórias que me conduz.
Este rio fantástico também nasce lá no alto, pertinho do topo da Serra Saudade, por entre pedras e moitas. Também lima e alisa pedras e ainda vasculha todos os cantos e recantos da minha saudosa serra natal. Depois, toma impulso e salta cachoeira abaixo, abraça cada uma e todas as pedras – companheiras de infância. Envereda pela pradaria. Cochila um instante no último remanso.
Então avança.
É nessa hora que todo o meu ser, serena e calmamente, aninha-se no real aconchego.
Integro-me ao grande Rio da Paz.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.