Imprudência


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Certa vez ouvi de Moraes Filho, experiente piloto, que: ‘Avião não cai, o piloto é que derruba’. Aquele meu saudoso amigo queria, em verdade, com tal assertiva, reafirmar algo que já foi inúmeras vezes constatado na prática: a maioria absoluta dos desastres aéreos decorre de falhas e imprudências humanas, não do equipamento.
 
Pelas conclusões preliminares das autoridades colombianas, tal estado de coisas teria, infelizmente, se repetido no trágico acidente que vitimou parte da tripulação e da delegação da Chapecoense, além de vários profissionais da imprensa esportiva de diversos veículos de comunicação.
 
Sim. Está bem claro pelo relato e cronologia dos fatos, que o acidente ocorreu em decorrência da manifesta imprudência do piloto, que alongou a autonomia de voo da aeronave, levando-a à ‘pane seca’ e, exatamente por tal decisão, ceifou a vida de dezenas de pessoas e lesionando outras seis.
 
No acidente aéreo em foco, a imprudência aliou-se também à ganância. O piloto não fez a escala programada para reabastecimento, visando diminuir custos operacionais com o transporte da delegação.
 
Registre-se ainda que, infelizmente, são também incontáveis os acidentes automobilísticos que ocorreram em face da imprudência ou de negligência dos motoristas.
 
Tais fatos, embora lamentáveis, devem servir ao menos como alerta, para que nos conscientizemos de que a prudência é sempre a melhor conselheira. É preferível perder tempo e dinheiro que colocar em risco a nossa vida e a de outras pessoas.
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca

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