Emocionalidade


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No último domingo, movimentos que apoiaram campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff se insurgiram contra alterações feitas por deputados no projeto das ‘10 medidas contra a corrupção’, apresentado pelo MPF. Também juízes, promotores e procuradores foram às ruas, interessados na questão. O foco principal foi a queda de braço entre o Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público, deputados expondo agentes da justiça a risco de cometimento de crime de responsabilidade quando no exercício profissional.
 
Manifestar-se é direito constitucional. Pareceu-nos, desta feita, mais emocional que racional a opção de ir à rua por algo que os próprios envolvidos deveriam resolver. O que tivemos em Brasília, na votação da lei anticorrupção, foi a manifestação de câmara acuada pela ameaça de delações contra parte dos seus. O Senado, ao não aceitar votar a matéria em regime de urgência, deu mostras de que pensará mais para fugir à emocionalidade. 
 
A tendência é que a matéria chegue depurada à sanção do presidente da República. Exageram os que pregam ser o projeto, ameaça à Lava Jato e suas similares. Pode ser até que parte ou mesmo a maioria dos parlamentares pretendessem isso, mas não têm força para tanto. A nós, que não somos parlamentares, nem juízes, promotores ou procuradores, resta aguardar. Que ponto de equilíbrio seja encontrado para que os malfeitos continuem sendo apurados e os responsáveis, punidos. Se acontecer, poderemos chegar ao dia em que o povo reúna razões para usar seu direito constitucional à manifestação, e o faça para demonstrar, finalmente, júbilo.
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
 
 

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