Não há nada mais correto: quem investe hoje em escola deixará de investir amanhã em presídios. A máxima descreve bem a realidade do País na atualidade, quando se sabe que enquanto o Brasil investe mais de R$ 40 mil por ano em cada preso em um presídio federal, gasta uma média de R$ 15 mil anualmente com cada aluno do ensino superior — cerca de um terço do valor gasto com os detentos. Já na comparação entre detentos de presídios estaduais, onde está a maior parte da população carcerária, e alunos do ensino médio (nível de ensino a cargo dos governos estaduais), a distância é ainda maior: são gastos, em média, R$ 21 mil por ano com cada preso nove vezes mais do que o gasto por aluno no ensino médio por ano, R$ 2,3 mil. Para pesquisadores tanto de segurança pública quanto de educação, o contraste de investimentos explicita dois problemas centrais na condução desses setores no país: o baixo valor investido na educação e a ineficiência do gasto com o sistema prisional. Hoje, o que se vê por aí são crianças livres para delinquir, muitas vezes usando a violência, quando deveriam estar dentro das salas de aula.
Enquanto o Brasil investir mais em presídios as perspectivas para o futuro serão sombrias. Não basta aplicar as verbas destinadas ao setor. É preciso se conscientizar de que somente uma escola de qualidade, com professores bem pagos e motivados, será capaz de retirar um grande contingente de crianças envoltas nos tentáculos da criminalidade e da violência. Nossas leis privilegiam a proteção da infância e da juventude, mas nada fazem quanto às suas responsabilidades: menores de idade têm direitos, mas não deveres. Aliada à inexistência de atrativos que os levem às escolas, crianças e adolescentes são fortemente prejudicados por causa de uma demagogia que não busca colocar em primeiro lugar o seu real bem estar.
Hoje, uma corrupção endêmica e profundamente enraizada na vida política brasileira tem sido capaz de desviar milhões de um dinheiro que deveria estar sendo direcionado para a Educação e para a Saúde Pública. Não há interesse em melhorar estes dois setores bastante sensíveis, quando os interesses pessoais superam os coletivos. Isso é um crime que se comete contra o País, que não cresce economicamente, penaliza a sua população e permite que desvios sirvam para o enriquecimento de alguns poucos em detrimento da maioria da população que luta para prover o próprio sustento. Caso não haja uma forte aliança em todos os níveis da administração pública, dificilmente seremos capazes de contar com uma escola forte, um primeiro passo para ganhar esta guerra contra o vício, a criminalidade e a violência.
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