Uma das principais propostas do governo Michel Temer (PMDB) para reduzir o rombo nas contas públicas, principalmente no caixa da Previdência Social, é o aumento da idade mínima para o trabalhador brasileiro conseguir o seu benefício. Ao mesmo tempo, a nossa classe política continua sendo aquinhoada com aposentadorias e pensões com poucos anos de trabalho. Qualquer cidadão precisa contribuir por 30 ou 35 anos para se aposentar, na maioria das vezes sofrendo uma redução brutal nos vencimentos. O governo pretende que o benefício seja concedido só após os 60 (para mulheres) e 65 anos (para homens). Na contramão disso tudo, os políticos brasileiros asseguram pensão especial com muito menos tempo.
O IPC (Instituto de Previdência dos Congressistas) foi extinto em 1999, mas continua a sangrar os cofres públicos. Tinha um enorme rombo quando foi liquidado. Como é costume no Brasil, a conta foi apresentada à ‘viúva’, a União. De acordo com reportagem publicada pelo site Congresso em Foco, o instituto já consumiu R$ 2 bilhões -- em valores atualizados -- nos últimos 16 anos. A cada quatro anos, surgem novos pensionistas. Ocorre que o parlamentar que estava no mandato no momento da extinção do IPC pode continuar contribuindo para o Plano de Seguridade Social dos Congressistas. Quando deixa o Congresso, pode pedir a aposentadoria pelas convidativas regras do IPC.
Enquanto qualquer brasileiro tem um teto para o valor da aposentadoria (R$ 5.147,38), senadores, deputados e governadores podem acumular os benefícios. É uma situação que já deveria ter sido corrigida. Um senador ou deputado consegue se aposentar com salário integral, que pode chegar a R$ 33,7 mil, sem que precise contribuir por 35 anos, e acumular com proventos de outras fontes, caso tenha sido governador, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) ou ocupante de cadeira no conselho de administração de qualquer estatal.
Diante da crise que atravessa o Brasil não pode viver uma situação onde a grande massa que produz, paga impostos e é taxada em qualquer coisa que compre ou serviço que utilize, seja obrigada a arcar com benefícios aos quais não tem acesso. Deve-se, sim, cobrar do governo federal uma ação no sentido de acabar com este tipo de distorção, principalmente ao se saber que há políticos que, com 16 anos ou menos de mandato, conseguem vencimentos integrais no momento em que são derrotados nas urnas e são obrigados a deixar a vida pública. É bom que frisemos: o sacrifício tem que ser de todos e não apenas da maioria dos brasileiros. É ela que paga este tipo de benefício e vê o seu dinheiro alimentando ainda a corrupção e as fraudes, o que torna sua vida muito mais difícil.
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