Os grupos Vem Pra Rua e MBL (Movimento Brasil Livre), dois dos principais organizadores dos protestos pela queda da ex-presidente Dilma Rousseff, convocaram o País para um protesto marcado para este domingo, 4. Em Franca, uma concentração está prevista para acontecer às 10 horas na Praça Nossa Senhora da Conceição. Os organizadores locais estimam que pelo menos 1 mil pessoas comparecerão à manifestação.
O ato, inicialmente, seria uma forma de protesto contra a tentativa dissimulada de anistiar crimes antigos, conceito que foi abandonada pelo governo de Michel Temer e pela cúpula do Congresso Nacional depois da proporção da repercussão negativa junto à população. Entretanto, na madrugada da última quarta-feira, 30 de novembro, a Câmara dos Deputados aprovou uma versão modificada do pacote anticorrupção que havia sido proposto pelo Ministério Público Federal - o que motivou que o ato agendado para este domingo fosse mantido e, em alguns lugares, ganhasse ainda mais peso.
O empresário Maxwell Euzébio Ferreira, 37, um dos líderes do grupo Inconformados de Franca, disse que a manifestação local começará às 10 horas, em frente à concha acústica da Praça Nossa Senhora da Conceição, sem grandes pompas, mas com muita significância. “Vai ser uma manifestação simples, porque não temos dinheiro em caixa. Será apenas o ajuntamento de francanos inconformados em frente à concha acústica. Pelo acompanhamento da movimentação que fazemos das redes sociais, acreditamos que venham 1 mil pessoas, mas pode ser mais”, disse.
Na pauta nacional do protesto está o posicionamento contrário a uma das principais alterações feitas pela Câmara: a emenda que prevê a possibilidade de juízes e procuradores responderem por crimes de abuso de autoridade com base em várias condutas, incluindo medidas de caráter subjetivo. A emenda é apontada pelos grupos manifestantes como uma reação do Congresso aos desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato.
Ferreira endossa que entre as principais motivações do ato francano está o apoio irrestrito às investigações inerentes à Lava Jato, e também a luta para que Renan Calheiros (PMDB) seja afastado do Senado. “Vamos para a rua por apoio à Lava Jato, apoio ao juiz Sérgio Moro (...), e também pelo ‘Fora Renan’, assim como houve o ‘Fora Dilma’. Queremos que ele deixe de ser presidente do Senado e também deixe de ser senador. Ele responde a 13 processos na Lava Jato”, afirmou.
Uma camionete equipada com alto-falantes ficará estacionada na praça e os organizadores pedem para que os manifestantes se vistam com roupas com as cores da bandeira do Brasil. “Pedimos também que levem bandeiras do Brasil e tudo que possa servir para fazer barulho. Pode ser apito, vuvuzela e até panelas para um panelaço.”
Movimento mundo afora
A organização do MBL compilou informações em uma página online e, até o fechamento desta edição, estava divulgando protestos contra a corrupção em ao menos 220 cidades brasileiras. Fora do País havia atos confirmados em Lisboa (Portugal), Londres (Inglaterra), Cidade do México (México), Dublin (Irlanda), Springfield e Nova York (USA).
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