O diagnóstico precoce ajuda a alcançar boa qualidade de vida aos portadores do vírus HIV/Aids. O cuidado com a prevenção, o uso de preservativo em todas as relações sexuais e a realização de testes periódicos ajudam na luta contra a doença que ainda não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos. Falar sobre o assunto, na maioria das vezes, é tabu na sociedade que ainda não têm total conhecimento sobre as formas de transmissão e de tratamento.
De acordo com Carla Cristina Del Valle, coordenadora do Programa Municipal DST/Aids, o município registrou 92 novos casos entre junho de 2015 e junho deste ano (número de casos revelado abrange Franca e região). O número é 41,53% maior do que os casos verificados pela Secretaria Municipal de Saúde no mesmo período de 2014 e 2015. Dos 92 casos registrados, 72% foram diagnosticados na população francana (65 casos) e 28% na região (27 casos).
A principal faixa etária atendida abrange a população entre 20 e 49 anos, representando 89% do total. Entre a população masculina, considerando a categoria de exposição, 40% na opção heterossexual, 48% homossexual e 12% bissexual e travesti.
A liberação sexual de forma geral e a banalização do uso do preservativo estão diretamente relacionadas para a incidência do vírus.
O mês de dezembro é marcado pelo combate à doença e, no primeiro dia do mês, é celebrado Dia Mundial da Luta Contra a Aids. A reportagem do Comércio conversou com a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids para abordar o assunto na cidade.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde revelam que o número de casos de HIV/Aids tem aumentado entre os homens. Em Franca, esse número tem crescido entre os casos registrados?
O número em Franca e em nossa região segue estável. A taxa de prevalência nossa está em torno de 1,9 casos por 110 mil habitantes. No último ano, registramos 92 novos casos de Aids entre junho de 2015 e junho deste ano. A taxa permanece a cada dois homens contaminados uma mulher é infectada. Temos notado que com a banalização do preservativo, as pessoas têm chegado ao ambulatório doente. Com isso, aumenta a incidência da pessoa já com a Aids
A que a senhora atribui a banalização do uso do preservativo?
Existem várias linhas de pesquisas que tentam justificar esse aumento. Uma delas envolve que o jovem de hoje não viveu o início da epidemia antigamente. A partir daí, ele perdeu toda noção de olhar para a pessoa infectada e ver características físicas do HIV. Outra questão está na falta de importância ao adquirir a doença. Muitos pensam: “se eu pegar, eu vou tratar”. Eles desconsideram como é complicada a questão do tratamento, de ter que se medicar diariamente, do compromisso para ter uma qualidade de vida. A banalização do uso do preservativo também está relacionada à liberação sexual de uma forma geral.
Por que as pessoas ainda resistem em fazer o teste de Aids? É um tabu a ser superado?
As pessoas ainda têm o receio de entrar até aqui no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) para ser atendida. Nas campanhas promovidas pela gente nas ruas, notamos as dificuldades das pessoas de pelo menos pegar o preservativo. Procurar pelo teste fica ainda mais complicado. Mas tem melhorado essa questão com a implantação de testes nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Os profissionais têm orientado e explica toda importância da realização do teste.
No caso de uma relação sexual sem o uso do preservativo e o parceiro apresentar algum risco de contágio, existe alguma medicação “emergencial” para este tipo de situação?
Pessoas que sofreram exposição ao vírus da Aids, como em um acidente de trabalho, violência sexual ou que tiveram uma relação sexual consentida, sem preservativo, podem buscar medicamento preventivo na rede pública. A PEP (profilaxia pós-exposição) dura três meses. A pessoa pode procurar o serviço em 72 horas e iniciar a medicação (antirretroviral) para diminuir o risco de contaminação do HIV.
Mesmo com foco para combate do HIV/Aids, a rede pública se mantém atenta para prevenção de outras DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Quais casos têm preocupado os profissionais da saúde?
O Ministério da Saúde vem realizando ações e campanhas em âmbito nacional para combater a sífilis. Em Franca e em nossa região, temos notados um aumento considerável de casos, não só de sífilis, como também, das hepatites B e C. É preciso ficar atento aos sintomas iniciais da doença. Para se ter uma idéia, tivemos um crescimento significativo de 40% de hepatite de um ano para o outro. Esse é o primeiro ano que colocamos testes de hepatites C na campanha. No último ano, temos registrados 56 casos de hepatite C.
Na semana em comemoração ao Dia Mundial da Luta contra a Aids (1º de dezembro), como foi a divulgação da campanha no município? Em sua análise, foi satisfatória?
É o momento que a gente tem de conscientizar a população sobre a importância do caso, alertar e trazer populares para nosso ambulatório ou unidades básicas e apresentar os serviços que são oferecidos. Realizamos várias ações durante a semana, desde apresentação de peças teatrais com temática sobre a importância do uso do preservativo e sobre o HIV. Em parceria com cursos técnicos, alunos realizaram a entrega de material educativo, preservativo e orientação no modo geral. Customização de camisetas com temáticas sobre o HIV, além de toda campanha em si de testagem.
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