Na edição do Clubinho do dia 20, quando falamos de Prometeu, dissemos que Zeus, para castigar quem lhe roubara o fogo, mandou acorrentá-lo no Monte Cáucaso e ordenou a um abutre que comesse seu fígado lentamente. Mas que ave seria essa- o abutre? Muitas crianças perguntaram. Vamos responder.
O abutre não é uma ave bonita. Sua cabeça é coberta por uma penugem de cor clara, com regiões escuras ao redor do pescoço e olhos; o bico é castanho, com uma mancha azulada; as patas são acinzentadas. Seu alimento preferido é carne decomposta, de seres mortos. Sob este aspecto é parecido ao nosso urubu.
Tem gente que até confunde. Mas o “nosso” urubu, palavra de origem indígena que significa “ave preta”, é bicho que fica restrito às Américas. Por aqui abutre não vive. Ele é encontrado desde a Península Ibérica (Portugal e Espanha), no Ocidente, passando pelos Balcãs e Turquia, através do Cáucaso, Irã, Afeganistão até o sul da Sibéria, Mongólia e norte da China. Na Europa, o número de aves dessa espécie vem diminuindo.
Quando abutres se juntam ao redor de uma carniça, é guerra. A agressividade da competição alimentar é determinada, sobretudo, pelo grau de fome de cada um dos componentes do grupo. Os mais famintos dominam os outros. Todavia, ao passo que se vão saciando, a agressividade diminui e, no fim, todos acabam comendo juntos.
Entre 3 a 6 anos de idade, os abutres-pretos atingem a maturidade sexual, formando casais estáveis que podem durar anos. A época reprodutiva dessa espécie é bem longa, começando no fim de janeiro com a construção dos ninhos. A postura ocorre entre fevereiro e abril. A incubação dos ovos dura de 54 a 56 dias e os filhotes, depois de saírem do ovo, levam aproximadamente 95 a 120 dias para se tornarem independentes.
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