Este é o título do mais famoso livro de Gustave Flaubert, escritor francês considerado o mestre do romance. Perfeccionista, procurava sempre a palavra certa para a narrativa certa. Nascido em Rouen, na França, em 12 de dezembro de 1821, deixou o mundo físico em 8 de maio de 1880. Festejou a primeira edição do seu romance em 1857, mesmo ano em que Allan Kardec publicou, em Paris, O Livro dos Espíritos.
Deduz-se que tenha conhecido a obra de Kardec. No romance, em diálogo entre Madame Bovary e Rodolphe, anota: ‘enquanto participavam de uma cerimônia de premiação de agricultores, Rodolphe toma as mãos da senhora e lhe diz que ‘aquelas atrações irresistíveis se explicavam por alguma existência anterior’ (página 147, edição L&PM, 2016).
Vê-se que reencarnação fazia parte de seu ideário filosófico, embora não se possa afirmar que a aceitava. O Espiritismo explica, indubitavelmente, afinidades e antipatias carregadas, em muitos casos, de vivências anteriores. Dissemos ‘em muitos casos’ porque são, geralmente, oriundas de encarnações passadas.
Pode surgir afinidade pelo cultivo de mesmos gostos — música, artes, esporte, ciência; mesmas preferências e inclinações. Ideais também aproximam, criando afinidades duradouras. Religiões podem criar vínculos afetivos, aproximando e integrando pessoas.
Não se pode descartar tais possibilidades. E, sempre que não justificarem afinidade, a possibilidade de convivência em vidas passadas é o que melhor explica a atual simpatia ou antipatia entre elas, como entendeu Gustave Flaubert.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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