Nada mais será como foi até agora


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Grande parte dos políticos brasileiros deve colocar as barbas de molho. Depois da tentativa da Câmara dos Deputados em intimidar o Judiciário brasileiro, ao desfigurar o pacote com dez medidas anticorrupção apresentado por procuradores do Ministério Público, os últimos sinais mostram que nada será como antes no nosso cenário político. Com o apoio de 2,4 milhões de assinaturas, a matéria chegou ao Congresso há oito meses e listava dez medidas consideradas essenciais para apertar o cerco contra a corrupção. Porém, na madrugada de quarta-feira, quando o País chorava a queda do avião que levava o time do Chapecoense na Colômbia, matando a maioria de seus ocupantes, em vez de pacote anticorrupção integrantes da base do governo e da oposição transformaram-no em uma peça disforme que protege suspeitos de corrupção e amarra as mãos de quem quer pegá-los.
 
A resposta veio rápido: o Senado barrou a urgência para sua tramitação na Casa e todo o Judiciário brasileiro protestou contra a tentativa dos parlamentares em intimidar e “engessar” o trabalho de procuradores, juízes e promotores na apuração dos desvios de agentes públicos. Agora, a prisão da prefeita Dárcy Vera (PSD), efetuada ontem, por causa do rombo que um esquema criminoso deixou no caixa da prefeitura de Ribeirão Preto, somada à de vários outros políticos com mandato e de nomes como o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) denota um novo rumo para o Brasil, que não aceita mais verdadeiros marginais comandando o seu destino. Para agravar ainda mais a situação, o STF (Superior Tribunal Federal) transformou o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) em réu num processo por improbidade e o empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso há mais de um ano, resolveu assinar acordo de delação, podendo implicar mais de 150 ocupantes de cargos públicos em esquemas de corrupção.
 
Tudo isso permite ao brasileiro — que promete tomar as ruas amanhã, protestando contra a mutilação do pacote anticorrupção aprovado pela Câmara — respirar novos ares, num prenúncio de tempos mais auspiciosos daqui em diante. Caso os parlamentares não recuem em sua decisão e permitam ao Judiciário a independência necessária para continuar realizando o bom trabalho verificado até agora (não apenas no âmbito da Lava Jato, mas também nas diversas outras que se desdobram neste momento, indiciando e sentenciando agentes públicos desonestos), todos nós saberemos dar a resposta necessária, coo já se viu nas últimas eleições. O Brasil deverá surgir mais ético e menos corrupto com a depuração da classe política responsável pelos destinos do País. Os que o braço da Justiça não conseguir apanhar certamente serão sentenciados pelos eleitores brasileiros em 2018.
 
 
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