Saem os mortos, entram as crianças. A Prefeitura vai contratar uma empresa de engenharia civil por quase R$ 1 milhão para adaptar o prédio de um velório e transformá-lo em creche na zona Leste de Franca. O ato homologando a firma vencedora da concorrência pública, por R$ 967.326,76, foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Município.
A creche, caso saia do papel, vai enterrar uma polêmica que se arrasta há quase seis anos. Se o cemitério da fictícia cidade de Sucupira, na novela O Bem Amado, não podia ser inaugurado porque ninguém morria, em Franca o velório do Jardim Paulistano está desativado desde que foi inaugurado. Não por falta de mortos, mas pela recusa da população em usar o local construído em área imprópria.
O velório foi feito por meio de uma parceria entre a Prefeitura e o governo do Estado, e custou R$ 150 mil. Desde o início, a obra foi questionada por causa do local escolhido. O prédio foi feito em um terreno de difícil acesso, mal iluminado e cercado por mato, na divisa do Paulistano com o Jardim Brasilândia. Poucos se arriscam a passar pelo local à noite. Vizinhos fizeram um abaixo-assinado para impedir o “investimento”. Foram ignorados.
Entregue em abril de 2011, o prédio foi usado uma única vez. E por apenas duas horas. Familiares do morto pediram à funerária que removesse o corpo para o velório Santo Agostinho por causa de ameaças. Desde então, o imóvel se transformou em um elefante branco sem qualquer utilidade. Ideias de ocupação não faltaram.
Primeiro, cogitou-se que alguma unidade da polícia ou da Guarda Civil fosse instalada no local. Não vingou. Há dois anos, a Prefeitura decidiu transformar o prédio em uma casa de apoio a crianças e adolescentes. A ideia foi apresentada aos moradores do bairro durante audiência pública.
Agora, ficou decidido que o velório será transformado em creche para 70 crianças com idade entre 4 meses e 3 anos e 11 meses. Em nota enviada à redação, a Prefeitura informou que o início da obra não tem data prevista e ocorrerá assim que o contrato for assinado e expedida a ordem de serviços pela Secretaria de Planejamento Urbano. A partir de expedida a ordem de serviço, a obra deve ser concluída em 360 dias.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.