O Congresso Nacional perdeu de vez a compostura. Já somos líderes mundiais em corrupção e impunidade. Aliás, nunca houve, na história do mundo, tanto dinheiro desviado a bolsos políticos espúrios, e não escapam presidentes da República, governadores de Estado, prefeitos, seus apaniguados e familiares. O Executivo e o Legislativo estão podres. Nunca a indecência foi tão endeusada.
Esta semana, para se furtarem de cadeia certa, políticos quebraram recordes de velocidade conchavando plano para produzir a que já se considera mais visível ação de falta de vergonha na cara da história brasileira. Como serpentes, escolheram a madrugada em que o país se calou comovido pela desgraça que se abateu sobre o futebol da Chapecoense, para reduzir a pó projeto de lei de iniciativa popular — ‘Dez medidas contra corrupção e impunidade — assinado por mais de 2 milhões de brasileiros inconformados e apresentado em Brasília pelo MPF.
Incansáveis, também excretaram emenda para submeter os responsáveis pela operação Lava Jato — que lhes tirava o sono — a recolherem-se em suas investigações. Mandaram até recado: qualquer magistrado, procurador, promotor de justiça, desembargador, que pense bem antes de expor qualquer ‘digno’ representante do Legislativo à opinião pública, para não sofrer penas sugeridas e multas.
Quase consigo ver esses que se julgam deuses cujo centavo é o milhão desviado, completamente indiferentes a seus eleitores e gritando ‘It’s Tiiimmmeee’, cópia fajuta de Bruce Buffer, do UFC, para saudar o momento. Já disse aqui, e muito, que a culpa de termos desclassificados nos representando em todas as instâncias políticas, é exclusivamente nossa. Corremos das urnas. Rimos da desgraça, desde que não nos atinja. Admiramos quem não faz nada e tem muito. Endeusamos quem rouba, mas faz. Somos um povinho de merda, sem vergonha. Gostamos de nos (...) só para poder reclamar.
Quem sabe, um dia, mesmo sem educação (porque nos tiraram), sem saúde (porque nos tiraram), sem previdência social (por que nos tiraram), sem dignidade (porque nos tiraram), alguém, ou algo, finalmente reúna os duzentos milhões de cidadãos brasileiros para por fim à sociedade bandida que nos tornamos. Aterroriza pensar onde chegaremos enquanto legisladores criminosos continuarem dando as cartas. Triste país, nós, os silentes e concordes, estamos produzindo para nossos filhos e netos.
Luiz Neto
jornalista, mestre cerimonialista, editor de Opinião
luizneto@comerciodafranca.com.br
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