Já passou da hora do governo agir


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Quem demonstrava otimismo com a queda de Dilma Rousseff (PT) e a posse de Michel Temer (PMDB) na presidência da República já começa a ficar incomodado com o prolongamento da crise. Hoje, os índices prenunciam crescimento econômico negativo também para este ano, além do recrudescimento do desemprego, que tem deixado o setor produtivo brasileiro, trabalhadores e empresários, preocupado diante dos prognósticos nada animadores para o ano que vem. A primeira medida econômica de impacto gestada pelo governo federal, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que estabelece limites para os gastos do Governo ainda patina no Congresso Nacional e vem servindo aos movimentos ligados ao PT, que tentam convencer o eleitorado brasileiro de que a matéria vai reduzir os gastos em Saúde e Educação, o que não é verdade.
 
Mesmo diante da necessidade urgente de se cortar os gastos no menor espaço de tempo possível, Michel Temer tem se perdido nos meandros políticos desde que tomou posse. Viu cair seis auxiliares diretos (um para cada mês de mandato) e corre o risco de perder mais alguns, por causa de denúncias que podem se consolidar diante da delação dos executivos da Odebrecht. O acordo de leniência já foi firmado e pode incluir “bombas” capazes de detonar o núcleo duro e a base aliada do presidente. Enquanto vê o seu mais forte aliado no Congresso, o PSDB, demonstrar insatisfação com os rumos de sua administração, Temer não consegue acelerar a votação da PEC dos gastos e muito menos esclarecer as dúvidas a respeito de seu alcance.
 
Pesquisa do Instituto Ipsos mostra que 40% da população não sabem do que trata a proposta. E não seria difícil apresentá-la convenientemente: 64% são a favor de reduzir os gastos públicos. Da PEC só se mostram os sacrifícios, esquecendo o motivo dos sacrifícios e as vantagens que dizem que trará. Sem conseguir “vender” a sua PEC, o Planalto enfrenta invasões de escolas e manifestações de vândalos. Assim, “patina” e não consegue colocar suas ideias em prática.
 
Com isso, continua sofrendo o Brasil, à espera de uma solução para a recessão que jogou o País no buraco. Já passou da hora do governo Michel Temer começar a se mexer e mostrar a que veio. O Planalto precisa se esquecer um pouco da política e focar na economia, sob o risco de prolongar a crise por mais dois anos, à espera de um novo presidente. Se ocorrer desta forma, os resultados serão imprevisíveis, podendo atirar o Brasil num buraco ainda mais fundo, do qual será muito difícil sair.
 
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