Com o falecimento recente de Fidel Castro, passei a conjeturar: como as gerações futuras julgarão esse importante personagem da história mundial?
Certamente, muitos o terão na conta de filho de fazendeiro regiamente abastado que, visionário e obstinado, abandonou possíveis benesses do ditador Fulgêncio Batista, para, com risco da própria vida, liderar revolução (1959) em sua Cuba, pequeno e pobre país, mas de localização geográfica estratégica — 150 quilômetros da costa da Estado da Flórida, nos Estados Unidos da América).
Com a ‘Revolução’ e a tomada do poder, Fidel implantou educação de qualidade, medicina avançada e forjou grandes atletas.
Talvez, sua mais significante conquista tenha sido colocar ‘a ilha’ no mapa político do planeta, peça chave no período da ‘Guerra Fria’ quando se aliou à extinta União Soviética dando as costas aos Estados Unidos.
Só recentemente, com Barack Obama, relações internacionais foram reatadas com os norte-americanos.
Os detratores de Fidel, certamente o julgarão como ditador desumano e sanguinário que não mediu esforços para alcançar os seus objetivos nem sempre republicanos, estrangulando-se a democracia, cerceando liberdades individuais, punindo severamente seus contrários e disseminando pobreza com salários aviltados.
Os seres humanos se orgulham de bons feitos que integram suas biografias, e se envergonham da prática de outros. É da natureza humana. Não foi diferente com Fidel.
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
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