Violência sem freios


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Quem conhece o radialista e ouvires Gilberto Garcia, 74, sabe bem que se trata de uma pessoa tranquila, trabalhadora, cordata e, acima de tudo, gentil. Um dos profissionais mais longevos do rádio francano, mantém há anos um programa na rádio Difusora, ao mesmo tempo em que trabalha em um pequeno cômodo comercial na rua Couto Magalhães, no centro da cidade. Vive assim, modestamente, à custa de muito trabalho, apresentando um programa musical e consertando joias. Não é rico e muito menos ostenta uma condição que não desfruta. É simples, alegre e dono de uma prosa bem humorada.
 
Por isso, causou profunda indignação a forma com que ele foi tratado por marginais, na tarde de terça-feira, que invadiram o seu local de trabalho e o fizeram de refém. Por sorte, a polícia foi alertada e conseguiu libertá-lo dos marginais, um deles com apenas 15 anos de idade. De acordo com registro de ocorrência na Polícia Civil, o profissional foi agredido e mantido refém sob tortura. Uma situação que vem se tornando corriqueira nestes nossos dias, a qual não encontra uma solução que permita aos brasileiros trabalharem e viverem com tranquilidade.
 
Dois dos assaltantes que atacaram Gilberto Garcia acabaram presos, o menor de idade e um de 34 anos. O radialista e ourives ficou refém da dupla (o terceiro marginal, que vigiava da rua, fugiu), amarrado em uma cadeira, sofrendo cortes nos braços feitos pela faca utilizada pelos bandidos, além de ter sido enforcado e agredido com extrema violência. Não se sabe o que poderia acontecer caso a polícia não tivesse sido alertada para a situação e surpreendido os marginais.
 
A questão é uma das maiores preocupações da população brasileira: a falta de segurança, que impede ao cidadão de bem viver com tranquilidade, acuado pela violência da criminalidade que toma conta de nossas ruas e que, em alguns pontos do País, dá ordens e enfrenta os aparatos de segurança com um poder de fogo superior. O crescimento da criminalidade não encontra freio, pois o Brasil conta com uma legislação penal leniente e um Estatuto da Criança e do Adolescente que dá ao menor de idade todos os direitos e não lhe cobra deveres: o menor não é responsabilizado por qualquer delito, por mais grave que seja.
 
Enquanto a nossa legislação não mostrar um endurecimento na apenação de marginais, mesmo que sejam menores, continuaremos acompanhando o sofrimento de trabalhadores como Gilberto Garcia. E, o que é pior, vendo bandidos endurecidos e sem remorsos deixando as delegacias pela porta da frente, diante da série de benefícios com os quais contam para continuar atacando, ameaçando, ferindo e roubando quem trabalha todos os dias para garantir o próprio sustento. Até quando?
 
 
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