Boa parte das candidatas que disputaram as eleições neste ano está sob suspeita. Segundo a PRE (Procuradoria Regional Eleitoral) de São Paulo, em quase todos os municípios, há indícios de possíveis candidaturas falsas que teriam sido registradas apenas para que os partidos cumprissem a cota legal de 30% de candidatas mulheres.
As fraudes estariam relacionadas a candidatas que acabaram renunciando à eleição, que não tiveram movimentação financeira em suas campanhas (não tiveram qualquer arrecadação de recursos ou não realizaram despesas) e, também estariam sob suspeita, as candidatas que tiveram votação zero no pleito. “Essas são situações que muito provavelmente indicam que as candidatas não fizeram campanha, sendo arregimentadas pelos partidos apenas para dar a aparência de que cumpriam a cota de gênero”, disse a PRE, por email.
Em Franca, das 79 candidaturas femininas a uma vaga na Câmara, 33 (41,7%) se enquadram em um desses quesitos. Treze partidos teriam candidatas suspeitas. Na cidade, os partidos ou coligações tinham direito a apresentar até 23 candidatos a vereador, sendo que, destes, sete teriam necessariamente que ser mulheres. Os partidos e coligações com menos candidatos precisaram manter a proporção de 30% de mulheres.
O partido com maior número de candidatas sob suspeita é o DEM. Das sete, seis não registraram movimentação financeira. Receberam apenas a doação de R$ 195 feita pelo partido e não há registro de qualquer arrecadação ou despesa.
Outro partido com candidatas sob suspeita é o PT. Das seis candidatas, quatro se enquadram nos indícios apontados pela PRE. O presidente do Diretório Municipal do partido em Franca, Marcial Ignácio da Silva, que também foi candidato a vereador, negou qualquer irregularidade. “Não simulamos nenhuma candidatura. Apenas não conseguimos recursos para o financiamento das campanhas. Mas todas as candidatas foram votadas, o que prova que fizeram campanha”, disse ele.
Em Franca apenas uma candidata não recebeu nenhum voto. Elaine (PDT) não teve nem o próprio voto. Além disso, sua candidatura também não registrou arrecadação nem despesas.
A Procuradoria emitiu, na semana passada, uma recomendação para que possíveis casos de candidaturas femininas falsas sejam investigados pelos promotores de Justiça Eleitoral, que devem abrir inquéritos para verificar se houve fraude.
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