Obra póstuma relembra amor de historiador por Franca


| Tempo de leitura: 5 min
José Chiachiri Neto, Jorge de Freitas Chiachiri, Sara Chiachiri e Maria Ângela de Freitas Chiachiri
José Chiachiri Neto, Jorge de Freitas Chiachiri, Sara Chiachiri e Maria Ângela de Freitas Chiachiri
A semana em que Franca comemora 192 anos e seus moradores estão às voltas para promover os mais variados tipos de celebrações, é o período perfeito para homenagear José Chiachiri Filho. Morto em outubro do ano passado, aos 70 anos, o historiador e escritor, filho de quem ‘emprestou’ o nome ao Museu Municipal, vem de família cuja história pode se confundir com a da cidade.
 
Autor de três livros sobre Franca, inesquecível colaborador da imprensa francana, especialmente no jornal Comércio da Franca, onde, por mais de 20 anos, escreveu no caderno Nossas Letras, José Chiachiri conhecia a história da cidade como ninguém. É o que garante a professora Maria Ângela de Freitas Chiachiri, viúva do historiador. “Ele tinha uma percepção aguçada e um amor muito grande por Franca. Nunca desistiu da cidade e foi um eterno otimista. Acreditava que tudo ia melhorar”, disse ela.
 
Como forma de homenagear Chiachiri Filho e propagar o sentimento que o marido tinha pela cidade onde nasceu, viveu e morreu, aos 70 anos, Maria Ângela, decidiu ingressar em uma nova carreira e projeto: selecionar textos e crônicas do historiador e escritor. Com o apoio dos filhos, os advogados José Chiachiri Neto e Jorge de Freitas Chiachiri, e a arquiteta e artista plástica Sara de Freitas Chiachiri, a professora lança, no próximo dia 30, o livro Crônicas Escolhidas, na Câmara Municipal de Franca. Em entrevista ao Comércio, na última semana, garantiu: é a primeira de muitas obras póstumas do marido, “um eterno contador de histórias”.
  
Por que decidiram lançar um livro póstumo de crônicas do Chiachiri?
José Neto: A obra póstuma veio para comemorar o aniversário de Franca e trazer à população um retrato falado da cidade feito por alguém que era cego, já que meu pai perdeu a visão aos 32 anos de idade. São crônicas mais sensoriais e que transportam imagens para a escrita através de uma rica descrição com uma percepção diferenciada de alguém que não via e sabia até onde estava, mesmo sem enxergar.
 
Como foi o processo de seleção dos textos para o livro?
Maria Ângela: São algumas das muitas crônicas publicadas no caderno Nossas Letras, do Comércio e outras que ele fez com escritores como Sonia Machiavelli, Luiz Cruz, Everton Lima e tantos outros. Todas têm um pedaço ou um elemento que remeta a Franca. Até mesmo na capa do livro, há um local emblemático da cidade, que é o Vale dos Bagres, onde o Chiachiri passou parte da infância. Ele escreveu várias crônicas sobre aquele ponto de Franca e há uma delas no livro. Dividimos em três partes. A primeira é mais intimista, em que ele fala da família e de suas memórias ao longo de sua vida. A segunda traz seis crônicas que pincelam toda a história de Franca, enquanto a terceira cita personalidades de Franca que o Chiachiri tinha como amigos e de quem sempre tinha uma anedota para contar.
 
A respeito dessas personalidades de Franca. Quem é citado no livro e foi personagem de uma crônica?
Maria Ângela: Há nomes como dos ex-prefeitos Flávio Rocha e Maurício Sandoval, este último seu parceiro na política, o Jubileu do Amendoim, o poeta Higino Rodrigues, o radialista Garcia Neto, o delegado Guido Betarello... Alguns não têm os nomes citados mas, pelos elementos que ele traz, é possível saber de quem se trata. Temos muitas histórias.
 
Pelo que vocês acompanharam das pesquisas, andanças e ouviram de José Chiachiri Filho, o que seria um ponto forte de Franca, que ele achava que devia ser mais aproveitado? E qual era o ponto fraco?
Maria Ângela: O ponto forte são as pessoas. Ele apreciava nossos costumes e a história. O que encaixa como ponto fraco é que ele gostaria e lutou muito pela diversificação na cidade. Queria que se mantivesse o pólo calçadista, mas que acontecesse a expansão de outras áreas também.
José Neto: O ponto forte são as pessoas e o ponto fraco são as pessoas (risos). Ele achava que Franca tinha que ser muito mais do que é em um conceito estadual e até nacional. Isso em razão da riqueza que produziu e que possui. A mentalidade de não permitir que a cidade seja maior era algo que o incomodava.
 
Há o Chiachiri Filho que Franca conheceu e sabe a história. O historiador, jornalista, escritor, professor... Qual era o outro lado de José Chiachiri Filho como marido, pai e avô?
Jorge Chiachiri: Era carinhoso, aberto ao diálogo e dedicado principalmente com a família. Sempre queria um abraço e conversar, tanto com a gente quanto com pessoas de fora. Para meu pai, especialmente na época da política, tudo era uma diversão. Ele queria eleições todos os anos porque, assim, saia para conversar com todos os tipos de pessoas e saber suas opiniões. Ia às praças, bares, cafés e locais que tivesse bastante gente.
 
Para vocês, qual legado José Chiachiri Filho deixa para Franca?
Maria Ângela: Essa trajetória de manter a memória de Franca viva. Até o fim, ele foi perseverante no resgate da história. Esse amor pela cidade que buscou transmitir em cada linha e palavra. Acho que é isso que ele deixa de legado. Agora, a nossa parte é de manter viva a história do Chiachiri. Temos material para, no mínimo, mais dois livros. São milhares de textos e um grande afeto por Franca.
José Neto: O amor incondicional por Franca, principalmente. Meu pai procurou e divulgou a sua história e até mesmo de toda a região. Investigou desde seu povoamento até a consolidação como município Só alguém que tenha um sentimento incondicional pela cidade, como ele tinha, é capaz de fazer tudo isso.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários