Franca é, decididamente, uma cidade solidária. São muitas as campanhas realizadas por aqui, que buscam ajudar o próximo. O francano, de uma forma geral, ama bicho. O resultado da soma desse traço de solidariedade com o amor aos bichinhos é a criação de várias grupos que se dedicam a proteger os animais. A maneira como esses grupos se formam é semelhante. Em geral, pessoas com o desejo de ajudar animais atropelados ou em situação de abandono se mobilizam, buscam ajuda para bancar o tratamento desses animais e, posteriormente, fazer com que sejam adotados.
Os integrantes desses grupos se denominam protetores, uma vez que ficam responsáveis pelos animais até que os mesmos estejam em condições de serem adotados. Entre os mais atuantes da cidade estão a Cão Que Mia, Bicho Feliz e Turma do Abrigo. Conheça um pouco do trabalho de cada uma delas.
BICHO FELIZ
Há cerca de cinco anos, surgiu o grupo Bicho Feliz, que, se tornou, esse ano, uma associação. Patrícia Pinheiro Silva, uma das colaboradoras do grupo, conta que a Bicho Feliz começou no Facebook. Apaixonados por animais, alguns internautas usavam a rede social para relatar casos de abandono ou animais feridos. Esses internautas se uniam para solucionar os casos, o que em pouco tempo se transformou no grupo.
Atualmente, o trabalho da Associação Bicho Feliz consiste em arcar com a hospedagem dos animais que chegam para atendimento, bem como custear as vacinas, ração, medicamentos e, ao final, conseguir um lar para os animais.
“Hoje somos cinco pessoas e estamos cuidando de 35 a 40 animais”, disse Patrícia. Para ajudar nas despesas com os animais, a Associação realiza eventos mensais, como almoços, jantares e bazares.
Todos os anos, a Bicho Feliz produz um calendário com fotos dos animais atendidos pela Associação. Para o próximo ano, a médica veterinária Fabiana Garcia Nascimento, que também integra a Associação, revela que os bichinhos não vão aparecer sozinhos. “O novo calendário vai mostrar os animais ao lado das pessoas que os adotaram”, contou.
A veterinária reclama da burocracia enfrentada para ter uma chance de que a Bicho Feliz possa receber algum auxílio governamental. “É preciso ter um ano de registro do CNPJ (como Associação) para, só depois, tentar receber alguma ajuda governamental”, disse ela.
É O BICHO
Dentre as protetoras mais empenhadas com a causa dos animais em Franca está a empresária Aleni Papasídero,63. A paixão pelos peludos vem de infância. “Desde menina tenho queda por animais, mas antes eu fazia um trabalho isolado. Depois, hospedava animais junto com a turma de um abrigo e, posteriormente, no grupo Cão que Mia. Inicialmente, eu pedi para deixar os meus animais lá, eram três ou quatro, que eu arcaria com os custos. Depois, fui me aprofundando, até chegar a dirigir a entidade por cinco anos”, disse.
O movimento pela causa animal foi crescendo, assim como o envolvimento de Aleni, e, há seis anos, para poder atender mais animais, ela fundou a Associação É o Bicho, um grupo sem fins lucrativos que presta serviços veterinários a custo reduzido e que conta com uma área onde ficam, em caráter provisório, cachorros para adoção. “Eles ficam em nosso endereço durante a semana. Aos sábados, os levamos para a feirinha de adoção. Se estiver fazendo sol, acontece em frente à padaria Estrela. Se estiver chovendo, dentro do estacionamento do hipermercado Walmart.”
A associação, segundo Aleni, é autorizada a realizar atividades veterinárias em geral, de embelezamento (banho e tosa), de hospedagem e cirúrgicas, principalmente castração. Ela conta que tem atualmente sob sua responsabilidade 59 animais. “Hoje há 48 que estão aptos para encontrar um novo lar. Outros 11 vão ficar comigo até o fim, ou porque são velhos demais, ou doentes, faltando perna, olho, pedaço da boca. É meu asilo (risos)”, disse.
Junto com a ajuda de outros voluntários, Aleniduz ter retirado das ruas e conseguido um lar para mais de 18 mil animais. Sozinha, acredita ter feito isso por 3 mil e 4 mil animais, em aproximadamente 15 anos de trabalho ativo.
TURMA DO ABRIGO
Um grupo que também se formou com o intuito de socorrer animais feridos e abandonados é a Turma do Abrigo. O grupo começou a atuar em 1994, mas iniciou suas atividades com mais força no ano seguinte. Nos primeiros anos, não havia estrutura veterinária própria, o que era um desejo dos integrantes. O trabalho consistia em socorrer os animais, encaminhá-los a clínicas veterinárias, sendo que o pagamento de tratamentos e medicamentos ficava por conta da Turma do Abrigo. Assim que os animais estavam recuperados, eram destinados à adoção.
Foi em 2003 que o grupo conseguiu montar sua própria estrutura de atendimento veterinário, além de conseguir que uma chácara fosse emprestada, a fim de que os animais pudessem ficar ali até que conquistassem um novo lar.
No ano seguinte, a Turma do Abrigo se organizou como entidade e, desde 2012, a entidade oferece atendimento clínico e emergencial, cirurgia geral e exames laboratoriais de cães e gatos a preços populares. “Nosso trabalho não para, nem pode parar. Nosso objetivo continua sendo o de ajudar animais e pessoas, dando nossa contribuição para a sociedade, mas agora de uma forma muito mais ampla que antes. Queremos que a população realmente carente tenha acesso aos cuidados veterinários de seus animais de estimação, e, assim, criar uma consciência de maior responsabilidade e respeito com relação à vida”, destaca a médica veterinária Marina Mello, integrante da Turma do Abrigo.
A Turma do Abrigo estima que tenha esterilizado mais de 100 mil animais. Em 2008, a entidade se tornou afiliada à WSPA (World Animal Protection) no Brasil. Em 2010, a Turma do Abrigo firmou contrato com a Prefeitura de Franca e passou a realizar o serviço de castração de animais domésticos.
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