Minha Franca: como é ser profissional na cidade


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Alzira de Lima Araújo, professora de português
Alzira de Lima Araújo, professora de português
Melissa Toledo e Carolina Ribeiro 

Como é a sua relação com Franca? Como é ser profissional na cidade que está completando 192 anos? Confira a opinião de gente daqui ou que vive aqui e que ajuda a construir Franca todos os dias
 
 
A PROFESSORA
Nascida em São Paulo, a professora de língua portuguesa Alzira Conceição de Lima Araújo, de 56 anos, veio para Franca há duas décadas depois de um pedido especial do pai. “Ele estava bem doente e queria voltar para a sua cidade natal. Ele sempre foi um grande incentivador e afirmou que me deixaria a cidade inteira de herança”, disse, emocionada. Professora de rede estadual de ensino, Alzira passou pela escola “Professora Ana Maria Junqueira”, na Vila Raycos, e logo depois foi lecionar em Cristais Paulista. Depois de três anos na cidade, ela voltou para Franca e, desde então, há 16 anos, leciona para crianças e adolescentes dos ensinos Fundamental e Médio na escola “Professora Maria Pia Silva Castro”, no Parque do Horto. Nesses 20 anos ajudou a formar 5 mil alunos de Franca.
 
“Sempre desejei ser professora. Desde criança gostava de passar tudo o que aprendia para os meus amiguinhos. Sempre senti mesmo que nasci para aprender a ensinar e é isso o que faço”, completou. A francana de “corpo e alma” acredita que somente com projetos de inclusão a cidade pode continuar se desenvolvendo. “Nunca tive medo de desafios e ser professora é isso. A cada dia que saímos para ensinar também aprendemos”.
 
 
O POLICIAL
O delegado - e atualmente vereador - Daniel Paulo Radaeli, 51, afirma que ser profundo conhecedor da realidade de Franca e de seus mais agudos problemas é condição essencial para que ele possa exercer com habilidade a profissão que escolheu para a sua vida. Ele está há 23 anos na instituição. “Franca é cidade de povo trabalhador e, como toda comunidade, tem seus problemas. Conhecer tais problemas em segurança pública e ter a credibilidade da população faz com que eu possa exercer a minha atividade com toda a facilidade necessária”, disse. Radaeli afirma que se encantou pela carreira na área de segurança ainda na infância. “Conheci a carreira quando atuei como guarda-mirim do saudoso delegado Guido Betarello. Ele foi a minha inspiração. Escolhi trabalhar em Franca, pois nasci aqui na região e conhecia bem os problemas.”
 
Atualmente, Radaeli cumpre os últimos dias como vereador no Legislativo local. Dos 15 vereadores da atual legislatura, ele foi o único a não disputar a reeleição. Ele tem repetido que está decepcionado com a política da cidade e que, por isso, por ora, decidiu se dedicar exclusivamente à carreira de delegado.
 
 
O MÉDICO
O médico urologista Otto Cézar Barbosa Júnior, 53 anos, tem raízes bem fortes na cidade. Ele nasceu, cresceu e se fez profissionalmente em Franca atuando como médico e acumula grande experiência como gestor na área administrativa (ele é ex-diretor-presidente da Unimed Franca, onde é cooperado desde 1991 e é vice-presidente da Unimed Federação Nordeste Paulista). Graduado pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba, em 1987, ele retornou para Franca no início da década de 90, assim que concluiu a residência médica.  “Tive a oportunidade de ficar lá e seguir carreira na universidade em minha área. Mas, por vínculo com Franca, resolvi vir. Toda a minha família é daqui”, disse.
 
O amor por Franca falou mais alto e aqui ele seguiu acumulando histórias que aquecem a alma e vivências que o fizeram um profissional de sucesso. Uma das tantas passagens marcantes de sua vida em Franca que ele gosta de lembrar aconteceu ainda na adolescência, quando ele contava apenas 17 anos. À época, ele havia ingressado no curso de Economia da faculdade municipal e, no contraturno, trabalhava com o pai em uma empresa de transportes.”Eu estava em cima de um caminhãozinho amarelo, em um posto de gasolina que tinha na Avenida Rio Branco. E aí eu pensei: será que vou ser motorista de caminhão? Eu fazia faculdade, mas não levava tão a sério. Aí, no mesmo dia, à noite, eu disse não quero isso mais (risos). No dia seguinte, pedi demissão da empresa do meu pai e falei que ia sair da faculdade para fazer Medicina. Tomei essa decisão naquele momento e isso me marcou”.
 
 
A COMUNICADORA
A carreira na área de comunicação de Camila Pizzo, que hoje em dia atua no rádio e na TV sempre ao lado da colunista social mais popular da região, a Patrícia, começou muito cedo. Tão  cedo que é difícil para ela precisar. “É até difícil afirmar uma data. Desde pequena eu já fazia participações no antigo programa Patrícia na TV, participava dos me rchans do Magazine Luiza”, conta. Neta de Sônia Pizzo, a Patrícia, a publicitária de 34 anos passou a trabalhar com merchandising de maneira efetivamente profissional há cerca de dez anos, quando passou a apresentar os comerciais da Taiff  (marca líder no segmento de secadores e chapas profissionais no Brasil) na TV. “Fiz durante uns dois anos e, ao mesmo tempo, comecei a apresentar quadros na ausência da Patrícia, por algum motivo de viagem ou saúde. Nunca imaginei que seguiria essa profissão, já que adoro ficar por trás dos holofotes. Por ironia do destino,  os quadros aumentaram , a Patrícia foi sentindo confiança em mim, os clientes foram me aprovando e o público me abraçando.”
 
Ela conta que sua melhor academia foram os conselhos da avó e também do pai, Mauro (já falecido). Os dois a ensinaram muito sobre a profissão e mais ainda o amor por Franca e seu povo. “O público de Franca é um público gostoso, caloroso. Acho que por termos muitos mineirinhos na cidade, temos esse jeitinho caloroso”, disse. Camila afirma que chegou a resistir à ideia de aceitar o que diz ser herança da avó, que é o “dom da comunicação”. “Hoje é impossível negar. Adoro apresentar, tenho facilidade, adoro os clientes, produtos e marcas que nós divulgamos. Além disso, a cobertura de eventos é sempre algo gostoso de se fazer”, afirmou. 
 
 
A ESTUDANTE
Para Valéria Barros, 46, estudante do último período do curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Unifran (Universidade de Franca), Franca tem uma peculiaridade que lhe chama a atenção: uma imprensa com veículos importantes tanto no jornalismo impresso, como no online, em rádio e TV. Nascida em São Joaquim da Barra, ela conta que se mudou para Franca na infância e viveu 12 anos por aqui. Durante o período, passou a nutrir admiração pela comunicação, e o contato e a vivência com a imprensa francana foram decisivos para que, após mais de uma década de trabalho (em diferentes setores) em emissora de rádio e TV em Batatais, ela optasse por buscar aprimorar seus conhecimentos por meio da formação acadêmica.
 
“A imprensa francana é muito atuante. Morei na cidade (na infância), pude testemunhar in loco a atuação dos órgãos de imprensa e isso despertou em mim, mais ainda, o sonho de também fazer parte desse mundo tão importante para França e região. O sonho da minha vida sempre foi fazer Jornalismo”, disse.
 
Mais do que os estudos acadêmicos, a proximidade com a cidade a faz ter paixão extra. “Meus pais residem aqui e tenho também vários amigos e profissionais da área que cursaram jornalismo aqui”.
 
Valéria conta não ter dúvidas de que foi uma escolha acertada optar por uma instituição francana para concluir os estudos. “Durante os quatro anos de faculdade, pude apurar mais meu senso crítico e adquirir experiências que me fizeram valorizar ainda mais esses veículos locais”, concluiu.
 
 
O ATLETA
O grande sorriso não é capaz de esconder as marcas deixadas pelas lutas travadas durante a sua vida. Com 50 anos, Francisco Carlos da Silva, o Chicão, também conhecido carinhosamente como o “Pamonheiro-maratonista”, é exemplo de perseverança e qualidade de vida. Basta andar pelas ruas das vilas Santa Rita e Santa Cruz ou mesmo pelo Jardim Lima para encontrar o vendedor de pamonhas, que corre todas as manhãs antes de sair para trabalhar.
 
Nascido em Brejo dos Santos, na Paraíba, o maratonista veio para Franca por influência de um tio quando tinha apenas 18 anos e nunca mais foi embora. Casado com a francana Sueli Ferreira da Silva, com quem tem 4 filhos, Chicão começou a correr quando tinha 23 anos. “Sempre gostei de esporte e tinha uma verdadeira paixão por bicicletas, mas era um esporte muito caro. Meu sonho era crescer através do esporte e decidi me dedicar a corrida”, disse. 
 
Desde então, foram diversas competições. São mais de 200 medalhas e troféus e mais de 30 maratonas no currículo. Neste ano, participará de novo da São Silvestre.
 
Além das corridas diárias, o caminho seguido para vender pamonhas pelos bairros que visita diariamente puxando um carrinho faz, de acordo com ele, parte do treinamento. “Vivi uma vida de lutas. Com pouco estudo não consegui grandes oportunidades, mas tenho muito orgulho de dizer que venci. É com o dinheiro que ganho vendendo pamonhas que consegui garantir que todos os meus filhos estudassem. O esporte é motivo da minha felicidade e o trabalho faz parte disso também. Os meus clientes sempre me esperam passar e me incentivam bastante”, relatou. 
 
 
EMPRESÁRIO
Francano de nascimento e de coração, como gosta de se definir, o empresário Diego Pipper, de 30 anos, não esconde sua paixão pela cidade que o talhou como pessoa e o profissional que é. Ele conta que começou a trabalhar pelas ruas da cidade desde tenra idade. “Eu ainda era criança e, de mãos dadas com a minha mãe, Olinda, trabalhava vendendo joias de porta em porta na cidade enquanto meu pai fazia as peças em uma pequena fábrica”, disse.
 
Na visão de Pipper, Franca chega aos 192 anos transformada e em visível processo de evolução. “Em 30 anos pude ver as modificações que esta cidade passou e as grandes oportunidades que ela nos proporcionou, graças a Deus e a um trabalho duro de toda a família.”
 
Dentre as particularidades de atuar como empresário em Franca, Pipper cita o que chama de costume local. “Em Franca, o cliente gosta de ser atendido, às vezes, pelo próprio dono da empresa. Ele se sente mais confiante em comprar assim, o que não acontece com nossos outros clientes em todo o resto do Brasil”. 
 
Ele se refere principalmente aos clientes que os procuram para a compra de anéis de casamento, uma das especialidades da empresa. “Neste ramo, trabalhamos com a felicidade e os sonhos, o casamento é um grande acontecimento na vida de homens e mulheres. Ser empresário em Franca é ótimo e me sinto muito bem aqui. Acredito que os desafios que o empresariado enfrenta em Franca sejam os mesmos de todo o Brasil”, afirmou. 

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