Um gestor público, eleito pelo voto popular, precisa ser honesto, para usar de forma adequada os recursos provenientes de impostos, taxas e taraifas pagas pelos contribuintes. Também é desejável que tenha autocrítica, sabendo reconhecer e se penitenciar por seus erros. Deve, antes de tudo, colocar em primeiro plano os interesses daqueles que o elegeram. Infelizmente, não é o que ocorre no Brasil. Com raras e honrosas exceções, o político brasileiro sempre busca atender aos próprios interesses, muitas vezes usando a res pública como se privada fosse. É o que se vê hoje, com os desdobramentos da investigação da Operação Lava Jato, com a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, acusado de cobrar propinas, ‘pedágio’ e mensalão nas obras públicas feitas naquele Estado durante os seus dois mandatos. Pagou, com este dinheiro, joias, viagens ao Exterior, um iate luxuoso e até um helicóptero.
Guardadas as devidas proporções, temos aqui em Franca o clássico exemplo de um político totalmente apartado dos interesses da comunidade. Trata-se do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), cujo mandato encerra-se no dia 31 de dezembro, para o bem e a felicidade da maioria dos francanos. Durante entrevista ao jornalista Tiago Valentim, da TV Record, veiculada anteontem no programa Balanço Geral, Ferreira foi capaz de louvar o seu mandato, afirmando que “nós conseguimos fazer um trabalho bem feito. A cidade hoje é muito melhor que há quatro anos”. Uma verdadeira piada (não fosse a tragédia para a qual ele arrastou Franca nos últimos quatro anos) que só poderia partir de quem vê uma situação completamente dissociada da realidade que o município vive. Chega ao cúmulo de dizer que a Saúde Pública em Franca é uma das melhores do País, relevando o escândalo de falsos médicos, mortes e o esquema de salários astronômicos pagos aos profissionais. “A nota é 8 para a saúde”, garantiu, satisfeito.
Para muitos, o prefeito não está bebendo a mesma água que todos nós. Continua defendendo uma administração que levou o caos à saúde pública, mergulhando o francano num abismo do qual será difícil sair. Para se ter uma ideia da forma dissociada como o prefeito vê a cidade, ele insiste que foi “enganado” pelo golpe dos falsos médicos e vai mais longe, ao afirmar que a cidade não foi prejudicada: disse que os falsos profissionais eram formados em medicina, mas não tinham os documentos necessários para exercer no Brasil. “O que eles não tinham era formatura. Eles eram médicos”, afirmou. Não é o que polícia e Ministério Público acham. Agora, fora da Prefeitura, Alexandre será avaliado pela Justiça, que saberá julgar os seus atos como chefe do Executivo francano de forma exemplar.
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