O país amanheceu , na quinta-feira, sob o peso de nota pública do juiz Sérgio Moro, autoridade da Lava Jato, contra movimento na Câmara Federal para tornar mais brando texto de projeto de lei anti-corrupção apresentado pelo MP autorizado por 2.028.263 brasileiros cansados de ser bucha de canhão da canalhice política que nos governa.
Deputados estão estressados. Querem brechas legais antes que executivos da Odebrecht iniciem delação premiada. Sabem que aprovada a lei como proposta, não restará caminho exceto devolver o que surrupiaram de cofres públicos; e seguirem à prisão.
Desesperados e desavergonhados, fecham-se em conchavos escorados na única certeza que ainda têm: o brasileiro comum seguirá inerte. Fossemos sérios, avermelharíamos de vergonha e arroxearíamos de raiva. Somos tratados como merda e gostamos. O juiz Moro definiu o que pode ser do Brasil se a politicalha se impor de novo. Replico sua nota. Penso que a maioria, compartilhando inutilidades nas redes sociais, ‘não teve tempo’ para saber dela:
NOTA PÚBLICA: Diante de notícias não oficiais de que a Câmara dos Deputados pretende deliberar acerca de projeto de anistia de crimes de doações eleitorais não-registradas (caixa eleitoral) e eventualmente de condutas associadas, este julgador, encarregado em primeira instância dos processos atinentes à assim denominada Lavajato, sente-se obrigado a vir a público manifestar-se, considerando o possível impacto nos processos já julgados ou em curso. Toda anistia é questionável, pois estimula desprezo à lei e gera desconfiança. Então, deve ser prévia e amplamente discutida com a população, e objeto de intensa deliberação parlamentar. Preocupa a possibilidade de que, a pretexto de anistiar doações eleitorais não registradas, sejam igualmente beneficiadas condutas de corrupção e de lavagem de dinheiro praticadas na forma de doações eleitorais, registradas ou não.
Anistiar condutas de corrupção e lavagem impactaria não só as investigações e processos já julgados no âmbito da Lavajato, mas a integridade e a credibilidade, interna e externa, do Estado de Direito e da democracia brasileira, com consequências imprevisíveis para o futuro do país. Tem-se a esperança de que nossos representantes eleitos, zelosos de suas elevadas responsabilidades, não aprovarão medida dessa natureza. Curitiba, 24 de novembro de 2016. Sérgio Moro, juiz federal’.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião
luizneto@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.