Pacientes vivem dia de caos no PS; espera chega a 6h


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Cansados de esperar, pacientes se sentaram no chão do PS; alguns, não suportando a dor, se deitaram em plena recepção
Cansados de esperar, pacientes se sentaram no chão do PS; alguns, não suportando a dor, se deitaram em plena recepção
A quinta-feira foi mais um dia de caos no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. A espera por atendimento ultrapassou as seis horas. Sem lugar para ficar, pacientes acabaram sentando ou deitando no chão. A falta de informações e a impaciência com a demora acabaram gerando confusões. No meio da tarde, a polícia precisou ser acionada. 
 
A recepcionista aposentada Aparecida Afonso Alves, 50, da Vila Exposição, é uma das que sofreu. Na noite de quarta, ela procurou o PS com fortes dores na região da bexiga, febre e sangramento na urina. Depois de quatro horas, passou pelo médico que diagnosticou um quadro agudo de infecção urinária e pediu exames para a confirmação. Os resultados ficariam prontos na manhã de ontem. Às 10h15, ele chegou ao PS. “Ainda estou com dores e febre. Vim, porque depois de ver os exames, o médico disse que iria me passar os remédios. Mas até agora, às 15 horas, ainda não fui atendida”, reclamou. 
 
Ela ainda ficou mais uma hora no PS, mas acabou desistindo de esperar. “Não dava mais, eu estava ficando tonta de fome. Não comi nada. Sai sem dinheiro, porque achei que ver os resultados ia ser fácil. Não foi”, disse ela, que deixou o PS por volta das 16h15. 
 
Quem também precisou ter muita paciência foi o sapateiro Mauro Vilela Rodrigues, do Jardim Palma. Ele estava com fortes dores pelo corpo, pressão baixa e sentindo tontura. “Cheguei aqui às 10h10 e ainda não passei por nenhum médico. Não estou conseguindo nem ficar sentado e, mesmo assim, disseram que tenho que esperar, porque não tem maca para mim”, disse. Ele acabou se deitando no chão da recepção. “É muito descaso, muita falta de respeito. Como podem fazer isso com pessoas doentes?”, disse indignado. Até as 16 horas ele não havia sido atendido.
 
Resposta
O secretário municipal de Saúde, José Conrado Netto, disse que a grande espera foi criada pelo aumento de usuários na rede e também agravada pelo fato de o novo sistema de controle de consultas começar a vigorar. Por ele, todo o atendimento passa a ser informatizado. “Mesmo com o treinamento que foi feito com os servidores, esclareço que é possível que nos primeiros dias haja perda na velocidade do atendimento, tendo em vista a adaptação natural dos profissionais médicos com a nova forma de atendimento”, disse.
 
Netto também afirmou que nenhum caso grave deixou de ser atendido. “Todos os pacientes passaram pela classificação de risco. Ficaram na espera os casos mais leves.”
 
Por fim, disse estar ciente da situação. “Estamos buscando alternativas, colocando mais médicos nos horários onde o fluxo de pacientes fica ainda mais intenso.”

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