Morreu às 5h30 de ontem, dia 24 de novembro, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, o respeitado professor de Inglês, músico e semeador de mensagens positivas, Jairo de Carvalho. Tinha 74 anos. Aos 9 meses contraiu paralisia infantil e lutou, por toda a vida, com problemas na coluna e nos quadris. Nos últimos cinco anos, debilitado pela idade, sua coluna perdeu resistência e o condenou a andar curvado. Apoiado pela família e amigos, Jairo se submeteu a demorados processos fisioterápicos, mas os resultados foram nulos.
Não se recolheu à casa, guerreiro incansável das missões que se impôs, especialmente a da semeadura de mensagens de otimismo, espírita convicto que foi. No dia 31 de outubro sofreu queda grave, fraturou vértebras e teve a medula atingida, ficando tetraplégico. Internado, passou por cirurgia para estabilizar o pescoço, e permaneceu 10 dias na UTI da Santa Casa. Não havia mais o que fazer.
Era filho do fiscal de barreiras estaduais do Estado de Minas Gerais, Joaquim de Carvalho e Jacira de Almeida de Carvalho; irmão de Jader, casado com Sirlene e já falecido; Jairo, Joubert e Joaíra, casada com José Flávio Rodrigues Puccinelli. Dos enlaces dos irmãos, Jairo teve oito sobrinhos, que se tornaram sua alegria, e que dele se orgulhavam.
A vinda da família para Franca aconteceu na década dos anos 60. ‘Papai e mamãe viram em Franca, cidade de muito bom nível que permitia-lhes estudar os filhos e, paralelamente, permitia a meu pai continuar atuando na barreira de fronteira. Jader e Jairo bacharelaram-se em Direito, na Municipal de Franca. Joubert foi para São Paulo, cursar Ciências Econômicas. Mesmo formado, Jairo não exercitou a advocacia. Queria, isto sim, ensinar. Desde os 16 anos, talento nato para o idioma Inglês, conquistou vários alunos. Mais tarde, formado professor, ingressou na Escola Pestalozzi e em escolas estaduais, sempre ministrando Inglês, e nelas, se aposentou.
Maioria de seus alunos tornaram-se seus amigos. Jairo revolucionou o ensino do idioma. Dono de voz esplêndida, cantava e tocava violão. Fernando Palermo, que foi seu aluno, atesta. ‘Era um prazer aprender com ele. Não havia aulas monótonas. Cantava, nos fazia cantar e a gente aprendia inglês com facilidade. Mas Jairo era ainda mais: espírita, aproximamo-nos também no exercício da prática cristã. O levei a frequentar o Centro Monsenhor Cândido Rosa, criado por minha avó, Estela Palermo, e lá, permanecemos atuando por 35 anos. Agora, o perdemos’, disse Fernando Palermo.
O dom artístico, Jairo levou muito longe. Com amigos como Ulisses Minicucci, Mazzo Rodrigues Alves, Osny Renato de Melo, Pixoxô, Agnelinho Morato, Wanira Salles, formou o conhecido Grupão da Franca, vencendo festivais de música em Franca (com ‘Fim de Carnav al’, de Ulisses e Mazzo) e em Passos (com ‘Participação’, de seu irmãos Joubert de Carvalho).
Foi, também, um semeador de luz. ‘Fomos uma vez a Ibiúna, e lá através de um médium, Jairo soube que Deus queria que ele se tornasse um mensageiro. Levou isso muito a sério. Por incontáveis anos, podia-se sabe-lo andando pela cidade e distribuindo mensagens que imprimia, recortava e entregava a conhecidos e desconhecidos pelas ruas’, disse Fernando.
José Flávio, cunhado de Jairo, esteve na casa dele ao início deste mês, depois da queda e internação. Lá, junto à sua mulher Joaíra, observou grande quantidade de mensagens prontas. ‘Ficamos estarrecidos ao encontrar, sobre a mesa da cozinha da residência dele, uma único recorte de papel, certamente o último que leu antes de sair de casa no dia da queda: ‘Fui ser feliz e não volto!’. Ao que parece, Jairo sabia que se aproximava o fim de sua missão’.
Seu velório, ocorrido no São Vicente de Paulo, foi curto. ‘Ele sempre me pediu isso. Não queria dar trabalho ou causar dor a ninguém’, disse Joaíra. Estiveram presentes vários ex-integrantes do Grupão, ex-alunos, familiares e amigos que Jairo fez pela vida. Músicas das quais integrou o canto em outras épocas, o saudaram. Sepultamento, com serviços da Funerária Francana, aconteceu às 16 horas de ontem, 24 de novembro, no Cemitério Santo Agostinho.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.