Morreu em sua casa, às 18h40 de ontem, vitimada por infarto agudo do miocárdio, a senhora Zofia Panonko Belchior. Tinha 82 anos. Ela residia com a filha Ana Cristina e o neto Vinícius e, apesar de problemas físicos próprios da idade, vinha bem. “Mamãe estava lúcida a maior parte do tempo. Tinha pequenos lapsos de memória, o que não a prejudicava em nada. Alimentou-se e dirigiu-se ao sanitário, para escovar os dentes. Lá, infelizmente, sofreu o infarto. O Samu, solicitado a comparecer, o fez rapidamente, mas já não havia o que fazer”, disse Ana.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Zofia, com 5 anos, seguiu à Alemanha junto a sua mãe Anna e seu padrasto André Panonko, para trabalhar em serviços rurais. A família trabalhou naquele país por dez anos. Procuravam, porém, oportunidade para rumar a outro país, em busca de melhoria de vida e oportunidades para os filhos. Mudaram-se, primeiro para Nápoles, na Itália. De lá, aproveitaram vagas em cargueiro que iria para o Brasil, e viajaram.
Após chegarem ao Rio de Janeiro, puseram a buscar trabalho. Zofia empregou-se na capital paulista, como cuidadora de crianças. Lá a família permaneceu por um período. Depois, seguiu a Jundiaí. Nesta época, Zofia se casou e seu mudou para Ibiraci (MG). Separou-se alguns anos depois.
Conhece e se casou com Luiz Belchior, e com ele viveu, finalmente, o sonho de formar família verdadeiramente unida. Dos enlaces, Zofia teve nove filhos (Walter, casado com Vaneti; Valda, falecida; Eduardo, casado com Lucieny; Maria Aparecida, Cidinha, casada com o ex-deputado e prefeito eleito de Franca, Gilson de Souza; Maria de Fátima, casada com José Guilherme; Luiz Cláudio, casado com Alessandra; Ana Cristina; Fabiano, casado com Lucélia; Luciano, casado com Angélica), 25 netos e 13 bisnetos.
Luiz Belchior e Zofia administraram conhecido barzinho em frente ao antigo posto São Paulo/Minas, na avenida Champagnat.
Lá, sempre lado a lado, alcançaram os recursos para criar com dignidade a família e formaram grande rede de boas amizades. “Papai cuidava do dia a dia do negócio. Mamãe, com dotes extraordinários na cozinha, tornou-se salgadeira afamada. O que produzia não estava disponível só no bar, mas também, em festas chiques da cidade. Ela formou boa clientela e se tornou próxima de famílias inteiras, que a respeitavam, e a papai, pela responsabilidade e cuidado com seus clientes”, disse Ana.
“Ela era alegre, capaz de sorrir perante adversidades. Foi guerreira, batalhadora e só nos ensinou o que era certo. Sua determinação em manter a família próxima, fez com que todos, filhos, netos e bisnetos jamais se afastassem dela. Nossas reuniões de família serão, para sempre, inesquecíveis”, concluiu a filha.
Velório está acontecendo no São Vicente de Paulo. O sepultamento está marcado para as 16 horas desta quinta-feira, no Cemitério da Saudade.
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