Há dois anos, com os primeiros resultados das investigações da Operação Lava Jato, a classe política brasileira entrou em polvorosa. A cada nome que surgia como suspeito de se beneficiar das propinas distribuídas pelas empreiteiras que desviavam dinheiro dos cofres da Petrobras, aumentava o rol de partidos envolvidos com a corrupção na estatal, afundando principalmente o PT (da então presidente Dilma Rousseff) e o PMDB (do vice hoje presidente Michel Temer) no lamaçal que hoje, sabe-se, contaminou toda a administração pública, envolvendo ministros, ex-ministros, deputados, ex-deputados, senadores e ex-senadores. Nesse período, Dilma perdeu o cargo, Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados) também e hoje está preso, assim como o ex-senador Delcidio do Amaral foi para a cadeia e teve o mandato cassado. Políticos, empreiteiros, ex-diretores da Petrobras e outros beneficiários do esquema também foram parar atrás das grades.
Mesmo assim, nada causou mais preocupação em Brasília do que a prisão de Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro, que teria recebido milhões de “mensalão” de empreiteiras e hoje ocupa uma cela no complexo penitenciário de Bangu. Investigação do Ministério Público e da Polícia Federal levantou que praticamente todas as grandes obras feitas durante os dois mandatos do ex-governador pagavam “pedágio” a Cabral que, com isso, comprou joias para a esposa, um iate luxuoso e até um helicóptero. Aparentemente, a “ficha” caiu, ainda mais depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) anunciou a abertura do 12º inquérito contra o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL).
Por isso, a movimentação dos deputados e senadores é no sentido de aprovar uma anistia ampla e explícita aos alvos da Lava Jato, segundo informação da coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Esse grupo suprapartidário diz que, se é para assumir um desgaste dessa magnitude, que seja para obter um salvo-conduto seguro. Em outras palavras: a garantia de que não serão atingidos pela nova lei do caixa dois nem enquadrados em práticas como corrupção e lavagem de dinheiro. Trata-se de uma atitude típica dos agentes políticos brasileiros, que se esforçam em aprovar leis que lhes tragam benefícios em algum ponto de sua atuação, numa verdadeira afronta ao brasileiro que se sujeita às leis e faz tudo para não quebrá-las. Com certeza, o STF saberá dar uma resposta a esta iniciativa, impedindo mais uma vez que que nossos parlamentares legislem em causa própria e, o mais importante, que todos os que locupletaram à custa da sangria dos cofres públicos paguem seus erros na cadeia.
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