Capelinha retoma as atividades da Pastoral Ecumênica Afro


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Pai Lauro representa as religiões de matrizes africanas
Pai Lauro representa as religiões de matrizes africanas
Trazer a comunidade para mais perto da fé e fortalecer a paz e a união entre os povos como forma de combate à intolerância religiosa são questões que alavancam os projetos da Pastoral Ecumênica Afro de Franca, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, a Capelinha. 
 
A Pastoral Afro é uma das pastorais sociais da igreja católica que busca chamar a atenção para a situação do povo negro. ‘Vimos que não é só o negro católico que sofre com os problemas sociais de analfabetismo, criminalidade, discriminação da mulher negra, entre outros. Assim, decidimos criar em nossa paróquia essa pastoral ecumênica, buscando o diálogo entre cristãos, católicos, evangélicos, budistas, ciganos e religiões de matrizes africanas’, disse Frei Clebson de Sousa Rodrigues.
 
Atualmente à frente da Pastoral na cidade, que surgiu em meados de 1998, com a dona ‘Bá’, da Paróquia São Pedro, Frei Clebson foi o responsável por retomar as atividades em novembro do ano passado, durante o mês da Consciência Negra, chegando agora ao primeiro ano de atividade pós-retomada.
 
Por indicação feita nas reuniões da pastoral, que são relizadas aos sábados, na Capelinha, e são abertas à comunidade, foi sugerido um representante das religiões de matrizes africanas. Há dois meses, Laurindo Pinheiro Neto, o Pai Lauro (Tat’etu Omin Sindelê ), do Nzo N’kisi Dandalunda Mbuto Kongo Angola - localizado no Jardim Cambuí -, passou a integrar a pastoral. Pai Lauro disse que está na religião há 29 anos. ‘Somos minoria na sociedade, mas de grande valor para nossa fé e nossa ancestralidade. Quero ser, sim, um a mais para abraçar um irmão (...) e desmistificar certas questões dentro das religiões de matrizes africanas’, disse ele. 
 
Frei Clebson ressalta que desde o começo da reestruturação da pastoral, a busca é pela união de forças com a cooperação do Condecon (Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra), MNU (Movimento Negro Unificado), escolas de samba, capoeiristas, órgãos públicos e ONGs. De acordo com Frei Clebson, a Diocese vê positivamente as propostas da Pastoral Afro por cumprir o que determina os documentos da igreja.
 
Ainda assim, Frei Clebson e Pai Lauro concordam que a grande barreira é o preconceito que vem, muitas vezes, da falta de conhecimento. ‘Baseamos o trabalho da pastoral na reflexão que se fez na 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe. ‘O diálogo interreligioso tem um especial significado na construção da nova humanidade: abre caminhos inéditos de testemunho cristão, promove a liberdade e a dignidade dos povos, estimula a colaboração do bem comum, supera a violência motivada por atitudes religiosas fundamentalistas, educa a paz e a convivência cidadã’’, disse o frei.

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