Tenho observado, dentre amigos próximos e, muito assustado ao ampliar olhar para ambientes públicos em busca de confirmações, mais e mais pessoas de boa prosa, educados e maneirosos no trato com seus interlocutores, descolarem-se da realidade, sem mais nem porque, colocando-se, olhos perdidos a observar o nada ou , presentes fisicamente, não mais estarem ali mentalmente. Levantam o celular e se põem, surdos e mudos, a teclarem telas sucessivas, compulsivamente, alheios a tudo e a todos. É impossível não perceber. Alarge seu olhar e busque, especialmente em locais de grande concentração de pessoas.
É como se algo, imperceptivelmente, comandasse as mentes desses, lançando-as a lapsos de memória, sem atenção e foco, e incapazes de reagir, inclusive a cutucões físicos. ‘Acordam’ com dificuldade, como se religados fossem. Desculpam-sesem percebem o fizeram.
Não resisto a comparar o que ocorre com essas mentes a chip de computador de grande capacidade de processamento, capaz de realizar bilhões de cálculos em milésimos de segundo, mas só quando um comando o coloca para ‘pensar’.
Maioria dos compêndios sobre a raça humana ainda nos coloca como Homo sapiens, mas, para alguns especialistas, já somos Homo cellullaris. Mente humana já quase totalmente castrada pela tecnologia a velocidade de nossa evolução(?) se acelera. Se ainda não somos, falta pouco para nos tornamos Homo roboticus.
Alguns escritores de outros tempos previram, como se suas mentes os tivessem lançado várias décadas no futuro, o que nos tornaríamos; Isaac Asimov, autor do conhecido Eu, Robô, dentre esses. Suas imaginárias Diretrizes da Robótica — (0) ‘um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra qualquer mal’; (1) não pode causar mal ao homem, ou por omissão (...); (3) deve obedecer ordens de humanos, exceto quando essas ordens entrarem em conflito com a primeira e segunda diretrizes; (4) proteger sua própria existência desde que isso não conflite com as diretrizes anteriores’. Pensava em ‘Nós, Robôs’? De qualquer modo, Google prepara um botão ‘desliga’, para nada sair do controle... (confira em http://gizmodo.uol.com.br/google-evitar-skynet/).
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião
luizneto@comerciodafranca.com.br
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