Álbum de família


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Desde os primeiros dias de novembro, as crianças inglesas se mostram eufóricas com a proximidade do Natal. Nas escolas, ensaiam os espetáculos natalinos que fazem a delícia de pais e avós. Nas lojas,  se encontram com o Papai Noel a quem entregam cartas de próprio punho, com sugestões de presentes que gostariam de ganhar. Dentro de casa, a calefação se incumbe de deixar agradável a temperatura do ambiente. Lá fora, o frio acabou com qualquer resquício de verde: as árvores estão nuas, as trepadeiras viraram galhos secos, os jardins estão cinza, nem parecem aqueles que há três meses se mostravam coloridos numa belíssima explosão de cor e perfume. A terra dorme. Os dias ficam curtos, às dezesseis horas as ruas estão escuras, como se fosse vinte e duas.  É tempo de sonhar com a Noite de Natal. A tradição manda que, nessa noite, nas casas onde há crianças que acreditam em Papai Noel, ou Santa Claus , ou Father Christmas, em frente à lareira seja montada pequena mesa com guloseimas para ele. Num prato enfeitado com motivos da data, serão colocadas  as Mince Pies – espécie de tortinha de massa doce com recheio feito geralmente de frutas vermelhas, ou berries,  azedinhas. Para acompanhar, uma taça de Cherry, ou um copo de leite. Mas a rena, que o acompanha, também merece cuidados e carinho: portanto, para Rudolfh, duas cenouras, bem escolhidas. Na véspera de Natal, ao contrário dos costumes brasileiros, as crianças inglesas dormem cedo, para acordar mais cedo e procurar vestígios da passagem do Papai Noel por suas casas. Vão direto à mesinha em frente da lareira, para verificar se Santa Claus gostou do lanche e se Rudolph mordeu as cenouras. Só então abrem os presentes, tomam o café da manhã, depois fazem hora para aguardar com os pais o discurso da Rainha transmitido pela televisão, que infalivelmente vai ao ar às quinze horas. Fazem o tradicional brinde e voltam a brincar, já sonhando com o Natal do próximo ano. 

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