Mulher relata cirurgia sem anestesia por não pagar médicos do SUS


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Idosa sofreu com dores.
Idosa sofreu com dores.

A Polícia Civil (PC) investiga denúncias de que um urologista e um anestesista do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital José Venâncio, em Colina, São Paulo, estariam cobrando pelas cirurgias realizadas na instituição.

 A PC contou ao site G1 que 10 pessoas teriam denunciado os profissionais. Em um dos casos, a paciente de 65 anos teve um rim operado sem estar completamente anestesiada, pois um dos médicos não recebeu o valor cobrado. A paciente, que prefere manter o anonimato, diz que o urologista cobrou R$ 1,3 mil pela cirurgia em um dos rins. Ela relata que somente na sala de cirurgia soube que o anestesista queria 40% do valor.

“Ele falou que era pra eu ser sincera, se eu estava pagando ou não pela cirurgia. Eu falei pra ele que eu não sabia, que era meu filho que tinha combinado tudo. Ele falou pra enfermeira que ele não trabalhava de graça nem pra mãe dele”, contou a paciente.
 
A mulher afirma que o urologista iniciou os procedimentos e que ela reclamou de não estar anestesiada. “O médico que estava fazendo a cirurgia perguntou se ele não tinha aplicado toda a anestesia? Ele falou que tinha aplicado. Eu falei ‘não, o senhor não aplicou. Eu vi quando o senhor jogou aqui no chão’. Eu vi ele descartar, eu vi”, disse a paciente.
 
“O remédio que ele punha no soro, ele punha um pouco e o resto ele punha do lado. Jogava fora. Só Deus sabe o que eu senti, só Deus sabe o que eu passei”, explica a mulher. Ela conta que reclamava das dores, mas só foi devidamente anestesiada quando o rim foi perfurado. “Foi aí que eles fizeram eu dormir e me entubaram. Aí eu não vi mais nada”, relata. A paciente fala do trauma após a cirurgia sem anestesia suficiente. “Eu falava que doía, e ele [anestesista] falava que eu precisa de um psiquiatra. Jamais esperava um tratamento desse. Eu não posso ver ele na minha frente. Eu tenho medo. Se me dói a coluna, eu já penso que é o rim, eu entro em pânico. A minha vida não é normal”, lamenta ela.

O caso segue em segredo de Justiça e se forem condenados, os médicos podem ficar até 12 anos presos. O provedor do hospital foi procurado e afirmou que não comentará a situação. Ele também é investigado.

A denúncia chegou ao Ministério Público que determinou o afastamento dos médicos. O delegado Fernando Cesar Galletti diz que o provedor também é investigado pois uma das vitimas apontou que ele tinha conhecimento do esquema dos médicos, mas não tomou providências.

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