Qualquer tipo de radicalismo, seja ele religioso, político ou étnico, foi capaz de causar grandes tragédias em toda a história da Humanidade. A inquisição da Igreja Católica, o extermínio dos judeus pelos nazistas e a sangrenta repressão aos descontentes durante e depois da revolução russa são exemplos claros desta situação. Os radicais não aceitam qualquer tipo de oposição e combatem com mão de ferro qualquer opinião da qual não compartilham. O Brasil já viveu vinte anos de exceção. os chamados anos de chumbo, onde a ditadura militar perseguiu, torturou e matou milhares de opositores, acabando com todos os direitos individuais do cidadão.
Como se pode ver, multiplicam-se os eventos onde o radicalismo não é a resposta. Seja de direita ou de esquerda. E até mesmo religioso, como o que move o Estado Islâmico, célula terrorista que causa estragos não apenas em países do Oriente Médio, mas também na Europa. A maioria das conflagrações registradas em diversos pontos do Planeta tem por trás o radicalismo, que não permite vozes contrárias, a opinião individual ou o direito ao conhecimento.
A vitória do ultradireitista (e xenófobo, machista e multimilionário) Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos faz surgir e consolida uma corrente direitista, inclusive no Brasil, onde se defende o retorno dos militares ao Poder. Nada é mais natural para qualquer tipo de governo do que a democracia, onde o indivíduo goza de seus plenos direitos, inclusive o de protestar contra o que considera errado. Pois ontem, manifestantes invadiram o plenário da Câmara dos Deputados. Houve tumulto, a sessão foi suspensa e o local fechado. O grupo, formado por cerca de 50 pessoas de 10 estados do País (e mais cerca de 800 protestavam fora do prédio), defendia a volta dos militares ao poder e a ditadura.
É uma situação que se amplia, já que as manifestações a favor do poder aos militares até então se restringiam a páginas de redes sociais na Internet. Desta vez eles resolveram se expor, numa ação que nem os manifestares de esquerda que defendiam o governo Dilma Rousseff (PT) ousaram patrocinar.
Só quem não viveu os anos de chumbo no Brasil pode defender um regime repressor, censório e violento, onde as execuções eram sumárias e, na maioria das vezes, sem qualquer julgamento. Muitos sumiram e até hoje se desconhece o seu destino. Por isso, o protesto de ontem assusta e causa preocupação. já que defender uma ditadura em pleno século XXI é exagero sem fim. Não é desta forma que o País vai mudar.
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