A indústria calçadista de Franca gerou 5.042 vagas de emprego nos primeiros nove meses deste ano. O dado faz parte do balanço divulgado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho. O saldo, apesar de positivo, não é reflexo de uma retomada de produção. E sim um fenômeno característico do setor: a chamada sazonalidade.
O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, explica que historicamente os meses de agosto e setembro são marcados por um aumento nas contratações do setor. “São nestes dois meses que as fábricas começam a pro dução para atender os pedidos para o Natal. Analisando os números do setor, sempre nestes meses há um aumento nas contratações.”
A mesma explicação também é dada pelo presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Sebastião Ronaldo. “À primeira vista, pode parecer um número muito positivo, mas na realidade é comum. Sempre nesta época há mais contratações.”
Segundo Brigagão, mesmo com a geração das mais de 5 mil vagas, o setor ainda está no vermelho. “Não conseguimos recuperar o ritmo de produção nos últimos anos. Para se ter ideia, em 2013, o setor empregava 30.381 funcionários. Em 2016, até outubro, não ultrapassamos os 23 mil empregados.”
Para ele, a maior preocupação é com a chegada do fim do ano. “Nossas projeções mostram que não devemos fechar o ano com esse saldo de empregos. Isso porque, encerrada a produção para o Natal, as empresas começam a demitir e só voltarão a contratar em fevereiro de 2017.”
Brigagão defende que, para que as vagas geradas agora não sejam fechadas no fim do ano, o governo promova uma reforma legislativa que incentive a produção. “Da forma como as coisas estão, fica inviável para o empresário manter o vínculo. Não sabemos como será o próximo ano em termos de vendas e, por conta dessa insegurança, muitos empresários preferem demitir para zerar o passivo trabalhista. Se houvesse mais incentivo, isso não seria necessário.”
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