O Ministério Público Eleitoral de Franca ingressou com ação penal, por compra de votos e retenção de título, contra o vereador de Restinga Clóves Martini Cubas, o “Truvão”, contra a filha dele, Amanda Soares Cubas, e contra a ex-mulher, Renata Soares Martini Cubas. A família é acusada de prometer dinheiro para eleitores e de apreender documentos após não obter o resultado esperado nas urnas.
Truvão teve o pedido de registro de candidatura indeferido por conta de condenação no Tribunal de Justiça por ato de improbidade administrativa e não disputou a reeleição. Lançou a filha Amanda no seu lugar.
Segundo a denúncia do MP, pai, mãe e filha, agindo juntos e no intuito de garantir votos a Amanda, teriam prometido R$ 100 em dinheiro a 18 pessoas em troca de votos. Diante da derrota da então candidata (recebeu menos votos do que a quantidade de “cabos eleitorais”), eles retiveram os 18 títulos eleitorais e comprovantes de votação, bem como se recusaram a pagar o prometido.
Todos os eleitores que tiveram seus documentos retidos foram à delegacia de Restinga para narrar a prática dos crimes eleitorais. A ocorrência resultou em um pedido de busca e apreensão requerido pela Promotoria. O mandado foi expedido pela Justiça e cumprido no dia 1º de novembro.
As buscas foram feitas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) de Franca e pela Polícia Militar na residência e no posto de combustíveis dos investigados. Foram encontrados 1.471 documentos, entre recibos, vales e requisições de abastecimento, que demonstrariam a compra de votos, mediante a concessão de combustível, fatos que teriam sido praticados nos anos de 2003 e 2004.
Em 795 recibos apreendidos, segundo o MP, estavam discriminados o tipo e a quantidade de combustível a ser concedida ao eleitor em troca de votos para a eleição de 2004. Somente nesses documentos, foram contabilizados 9.245 litros de combustível, que seriam distribuídos por Truvão e seu grupo político. “Não conseguimos encontrar recibos referentes à atual campanha, mas os documentos apreendidos reforçam os depoimentos prestados pelos 18 eleitores e mostram que o investigado vem cometendo esta prática ilegal há muitos anos”, disse o promotor Yuri Borges de Mendonça.
O vereador Truvão não atendeu às ligações feitas para o seu telefone celular.
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