O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) anunciou, na última semana, a abertura de uma sindicância para apurar a morte da advogada aposentada Maria José Alves de Almeida, de 69 anos. Ela morreu três dias depois de ser mordida por uma cobra e passar por quatro unidades de saúde de Franca. O foco é apurar a conduta médica na Santa Casa, hospital que teria o soro antiofídico e teria negado a aplicação porque a idosa tinha plano de saúde.
Segundo o delegado regional do Cremesp, Ulisses Minicucci, serão necessárias oitivas com os médicos da Santa Casa, do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, do Hospital do Coração e do Regional, onde a aposentada tinha convênio. “Após o registro da ocorrência na Polícia Civil e pelas denúncias feitas pelo marido da vítima à imprensa sobre o atendimento dado na Santa Casa, instauramos a sindicância. Com isso, analisaremos todo o processo feito até a aplicação do soro”, disse.
Ainda de acordo com Minicucci, o processo de sindicância envolve ouvir os médicos de todas as unidades, coletar suas versões e prontuários e apurar a denúncia junto à polícia e os reclamantes. Se for provado que o médico Henrique Pedigoni, apontado pelo viúvo de Maria José como o profissional que negou atendimento e aplicou o soro tardiamente, tenha cometido algum tipo de infração ou omissão de socorro, ele responderá por isso. “Se culpado, pode ser processado. Há penas que vão desde advertência, passando por suspensão e até expulsão do Cremesp”.
O caso
Na noite do dia 26 de outubro, Maria José foi picada por uma jararaca em sua fazenda, na rodovia Ronan Rocha. Seu marido, o juiz aposentado Nilton Messias de Almeida, levou a mulher até a Santa Casa de Franca, que seria o único local onde havia o antídoto para a mordida. Lá, teria ouvido que o remédio seria aplicado no Hospital do Coração. Seguiu para o local e também não conseguiu a aplicação, indo então para o PS Municipal. Só depois Maria José foi encaminhada para a Santa Casa e recebeu o remédio. Mas já era tarde demais. Ela foi internada no Hospital Regional, onde morreu três dias depois.
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