A eleição de Donald Trump surpreendeu o mundo e provocou reações no mercado de capitais, mais sensível dos termômetros político-sociais ao redor do mundo. O irreverente homem de negócios chega à presidência dos norte-americanos contra a vontade de expressiva parcela do seu próprio partido, mas com votos de trabalhadores que se sentem prejudicados com a globalização. Seu primeiro discurso foi conciliador, oposto à tresloucada pregação de campanha, onde prometeu muro na divisa com o México para conter imigrantes, critica a latinos, inclusive brasileiros, e ameaça de expulsarão a muçulmanos do território estadunidense.
Pelo que se observa desde os primeiros instantes da chamada ‘era Trump’, o futuro presidente é consciente das limitações que a liturgia do cargo impõe a seu ocupante.
O discurso agressivo, na verdade, foi apenas marketing para conquistar eleitorado descontente. Como o voto do norte-americano é facultativo, foi também arma para motivar eleitores a votar. Hillary Clinton, apontada como favorita, não conseguiu convencer seus apoiadores a irem às urnas.
Diferente dos países latino-americanos e de outras áreas ‘em desenvolvimento’, os EUA têm regras fixas de governança. Nem as tragédias lá registradas foram capazes de desviar o país do estabelecido em sua Constituição, que mais de 200 anos.
Por mais irresponsável que possa parecer Trump, não conseguirá fazer nada além do trivial e nem de, sozinho, lançar o país a aventuras, ou estabelecer sistemas criminosos ou antissociais como vistos em outros pontos do mundo - inclusive no Brasil). Dificilmente terá como cumprir os exageros prometidos em sua campanha.
Logo começarão as desculpas. Naquele país, a burocracia tem regras próprias; o Legislativo e o Judiciário são poderes efetivos que jamais permitirão que um trapalhão faça do Executivo, um brinquedo pessoal ou arma de instabilidade, corrupção ou xenofobia.
A brincadeira acabou...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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