Mesmo jovem, o francano Cleiton da Silva Almeida, 23, leva uma vida de luta e superação. Lutador de jiu-jitsu, Cleiton encontrou no esporte solução para superar barreiras e vencer os combates impostos em seu caminho. Recentemente, o francano faturou o título do 3º Campeonato Brasileiro Parajiu-jitsu, realizado em São Paulo. Mais do que o troféu e a medalha de ouro, o título do nacional representa uma conquista interna para Cleiton Almeida.
Exatamente há 10 anos, o jovem precisou superar o maior desafio de sua vida. Um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico deixou Cleiton entre a vida e a morte. O francano passou por uma cirurgia de risco que durou cerca de nove horas, segundo relatos da própria mãe (Rute Aparecida da Silva Almeida). Começava ali sua primeira batalha pela vida. Assim, como no tatame, Cleiton conseguiu superar o ‘adversário’ e vencer.
Depois de 18 dias internado, o francano deixou o CTI da Santa Casa com sequelas motoras do lado direito do corpo e dificuldade na fala. Cleiton passou uma bateria de tratamentos para recuperar os sentidos (neurologista, psicólogos, de fonoaudiologia e fisioterapia).
Nesse período, Cleiton passou a se interessar pelo jiu-jitsu, esporte em ascensão no país. Com 16 anos, ele se matriculou em uma academia da cidade para treinar a modalidade. “O esporte mudou completamente a vida do meu filho, tanto psicologicamente, na questão física, auto-estima e responsabilidade. Tenho muito orgulho dele, não apenas como mãe, mas também por toda sua história de superação e dedicação”, afirmou Rute.
A paixão pelo jiu-jitsu aumenta cada dia mais na vida do adolescente. No primeiro momento, a modalidade escolhida serviria como forma de aprendizado para defesa pessoal. Cleiton ficou vislumbrado pela arte marcial e decidiu desafiar seus limites ao se aperfeiçoar com as técnicas de luta. “O jiu-jitsu mudou minha vida. Eu escolhi esse esporte para aprender a defesa pessoal. O esporte tem esse lado de testar nossa força e limites”, afirmou.
Após conquistar o Brasileiro, o faixa azul do jiu-jitsu espera realizar mais um sonho na carreira como competidor. Cleiton espera participar do Campeonato Mundial Parajiu-jitsu, no dia 19, em São Paulo. Mas, o desejo do para-atleta pode não se realizar. A família passa por dificuldades financeiras. Donizete Alves de Almeida é o responsável pelo sustento dentro de casa. O pai trabalha em uma fábrica de calçados. A mãe está desempregada. “Infelizmente não temos condições para arcar com a despesa de viagem e inscrição. Esperamos contar com o apoio de algum empresário para que possamos levá-lo para competição”, disse Rute.
A inscrição para o Mundial de Parajiu-jitsu custa R$ 120. A família do atleta espera arrecadar mais um dinheiro para o custeio da viagem até a capital.
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