Mais de uma dezena de anos atrás o programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, tinha um quadro onde pedia opinião sobre assuntos absurdos nas ruas do País e o brasileiro sempre tinha algo a dizer, inclusive citando que havia visto a notícia do fato. Como a contratação do “jogador alemão” Beethoven pelo Corinthians. No final, sobravam risadas aos telespectadores que logo eram substituídas por sorrisos amarelos quando se percebia que a ignorância superava o conhecimento. Hoje, ainda continuamos assim, com os mais espertos se aproveitando dos mais ignorantes para criar protestos sem qualquer motivo, apenas no sentido de tumultuar e atravancar a vida do País. Ontem, estradas em dezenas de Estados foram fechadas por manifestantes protestando contra a PEC 241, que limita os gastos do setor público, ainda em discussão no Congresso, que poderia reduzir investimentos em Educação e Saúde. Ao mesmo tempo, várias escolas continuam ocupadas por estudantes com o mesmo argumento.
A redução nas verbas federais para Educação, Saúde e Previdência virou bandeira de guerra. O jornalista Antônio Carlos Cacá Leite, do Metro de Vitória (ES) calculou os cortes na Educação: 10%. Ou R$ 10 bilhões a menos. O programa mais atingido é o FIES (bolsas em universidades privadas), com perda de R$ 1,7 bilhão e 313 mil contratos. O Pronatec teria de adiar as novas turmas por seis meses. As universidades federais perderiam 47% do orçamento. A meta de gastos em Educação cairia de 10% para 6% do PIB. Só que esses dados não são da PEC 241. São os números oficiais da Educação em 2015, primeiro ano da Pátria Educadora da ex-presidente Dilma Rousseff. Estes números vêm sendo divulgados como o motivo dos protestos, mostrando que a maioria dos manifestantes desconhece completamente a matéria, como provam vários vídeos divulgados pela Internet nos últimos dias.
Para se ter uma ideia da intenção dos mentores deste tipo de protesto, basta dizer que pouco menos de 300 mil estudantes não puderam fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no final de semana por causa das escolas ocupadas. Quando a polícia age para a desocupação, aparecem dezenas de defensores da baderna reclamando da truculência. Utilizar os ignorantes como massa de manobra é histórico e causou até tragédias ao longo da História da humanidade. Por isso, antes de aderir, é preferível que se busque conhecer pelo menos superficialmente o objeto dos protestos. Se a PEC 241 for aprovada e se provar que não haverá perdas para a Educação e Saúde, certamente os mentores buscarão outro motivo para continuar atravancando a vida nacional. É bom ficar de olho e descobrir a quem interessa esta situação.
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