Dê-me sua mão e venha comigo


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Dedico-me, paralelamente às atividades de editor de Opinião deste Comércio, e à gestão de relações corporativas do GCN Comunicação, a auxiliar gente comum, profissionais liberais, empresários, estudantes, professores, pastores e padres, políticos, autoridades, artistas, a perder o medo de falar em público, terror capaz de causar dores físicas, , taquicardia, suores. Já são 47 anos de trabalho. Há 10, decidi aceitar desafios de acompanhar, seja como tutor ou mentor, interessados em conhecer e praticar fala e gestual persuasivo. Vivi histórias de todos os tipos. 
 
Houve quem tinha a ideia certa para resolver problema onde trabalhava e se calou por timidez, e viu companheiro corajoso alcançar promoção. Teve empresário que, acostumado a mandar, enfiou os pés pela mão quando, presidente de entidade classista, foi obrigado a falar em público e perdeu boa parte da imagem vencedora que tinha construído. Cuidei de cantor que não podia ser mantido no palco de televisão após cantar, porque  emitia falas descuidadas se perguntado fosse sobre algo. Também aconteceu com o líder que encomendava discursos como sendo seus, mas não sabia que ‘Ilmo’ e “Exmo’ são só abreviaturas para ‘ilustríssimo’ e ‘excelentíssimo’. 
 
No princípio, treinei gente só no que me pediam: falar. Treino resolve para quem não nasce com o dom de expressar ideias com voz adequada, produzir silêncios capazes de fazer pensar; dar ênfase e volume vocal que conduzam audiências à alegria ou à tristeza. 
 
Incendiou, porém, quando passei a agregar conhecimento gestual aos segredos da expressividade vocal. Há todo um universo se comunicando em torno de nós, e a gente nem imagina. É possível identificar o perfil de alguém observando sua forma de agir, de andar, de se vestir, como reage a estímulos. Unir a força da palavra à credibilidade do gesto é o Olimpo da comunicação humana. Há quem já nasça pronto, e há todos os outros, que podem decidir que também querem ser bons.  
 
No nível consciente, perguntamo-nos por que razão esse ou aquele comunicador nos agrada. Não sabemos responder, e a razão é simples: não fomos treinados para decodificar a comunicação gestual. Temos o dom inconsciente dessa compreensão, mas desconhecemos o que é, e como usar a nosso favor.
 
O gesto é a moldura da palavra. É o olhar suave que direcionamos a quem nos merece atenção. É o sorriso franco com que brindamos quem gostamos. É a roupa que vestimos, não necessariamente nova; basta estar limpa e bem passada. É o perfume, e não a quantidade de perfume. É o carro com que nos deslocamos. É a sinceridade que brilha em nós quando nos aproximamos de alguém para desejar sorte ou vitória. É o aperto só de meia mão ou de mão inteira. 
 
Se desconhecemos esse universo, jamais produziremos comunicação eficiente, eficaz, persuasiva. E pior, não compreendemos mensagens a nos dirigidas por comunicadores que só querem se utilizar de nós. Político que faz da política sua profissão é muito bom nisso, e conta com nossa incapacidade de decodificá-lo com adequação, para se dar bem.
 
Dia 19 próximo, na sede da OAB/Franca, 9 horas da manhã, falarei  no VIII Colóquio Sutilezas do Dizer - Retórica e Oratória sobre estas minhas experiências a pesquisadores de argumentação e retórica da Unifran e da Puccamp; a advogados interessados no tema, Sou o único não acadêmico convidado — quanta honra — a palestrar em meio a alguns dos mais importantes pesquisadores brasileiros da área. Imensa responsabilidade, mas também, oportunidade de aprender mais.
 
Aproveito para reforçar convite a quem já falei sobre tudo isso, e a você, que me lê agora, e continua com medo de falar em público. É possível tirar o tal ‘terror do desconhecido’ de nossas vidas. Dê-me aqui a sua mão e me permita ajudá-lo.
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

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