‘A culpa é do INSS’


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As várias etapas da Operação Lava Jato têm trazido à tona a corrupção desenfreada que grassa no meio político já não é de hoje. 
 
Analistas políticos têm focado a vontade momentânea do povo em eleger representantes não ligados à política — recorde-se São Paulo — e o crescente índice de abstenções e de votos brancos e nulos. 
 
Em algumas cidades, a soma desses votos ultrapassou a votação de quem ficou em segundo lugar, revelando que a maioria do povo não queria quaisquer dos candidatos que disputavam o pleito. 
 
Nos Estados Unidos, o empresário Donald Trump, mesmo alvo de desconfianças, foi eleito democraticamente. 
 
Sob a desculpa de acertar contas públicas, medidas estão sendo tomadas pelo presidente Michel Temer. Percebe-se com muita clareza o interesse de seu grupo, em jogar a culpa pela crise, na Previdência Social. 
 
A Previdência dos Estados (que não é a mesma do INSS), em razão de má gestão e investimentos “furados” não consegue pagar aposentadorias de inativos. 
 
Não raras vezes se ouve políticos dizendo que é preciso mexer nas regras do INSS, organismo que também não tem nada a ver com a crise. 
 
A arrecadação do INSS continua superavitária, como afirma a Receita Federal. O problema está na chamada Desvinculação de Receitas da União, retirada de percentuais do que ‘sobra no caixa do INSS’ para aplicação em outras áreas. 
 
Aliás, se diz que parte do dinheiro da Previdência foi parar na construção dos estádios da Copa do Mundo de Futebol, aqui disputada. 
 
O povo paga tudo. E calado. Decisões políticas cortam benefícios populares do INSS, mas não atua da mesma forma no seio da corte republicana. 
 
O governo acaba de gastar quase R$ 600 mil, sem licitação, em uma ‘Ordem do Mérito Cultural’, para homenagear centenário do samba! Até quando aceitaremos, passivos?
 
 
Tiago Faggioni Bachur
Advogado, professor especialista em Direito Previdenciário

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