Redução precisa ser mais ampla


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Que o Brasil vive uma situação difícil não é novidade para ninguém. De que precisamos, todos, fazer sacrifícios para dar a volta nesta crise duradoura também. O problema é que apenas poucos estão fazendo a sua parte: o aumento de impostos e de algumas tarifas tem atingido apenas o setor produtivo. E isso reflete no desempenho das empresas e no mercado de trabalho, com altos índices de desemprego diante de uma produção estagnada, Um dos principais setores da indústria brasileira, o automotivo, sente na pele uma sequência de vários meses com queda nas vendas (que chega perto de 30% apenas no primeiro semestre deste ano). Não se tem visto, por parte do governo e dos parlamentares brasileiros, uma iniciativa no sentido de adequar os vencimentos e benefícios de todo o serviço público ao momento atual.
 
Numa atitude que chamou a atenção, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) instalou ontem uma comissão para investigar o pagamento de salários acima do teto permitido pela Constituição a servidores públicos, chamados de “supersalários”. O objetivo é elaborar propostas para coibir a prática, classificada por Renan como “horror e acinte”, pois há servidor que ganha mais de R$ 200 mil por mês em razão de uma série de manobras. A Constituição Federal estabelece que o maior vencimento mensal pago a um servidor público não pode ultrapassar o que recebe um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Hoje, o valor limite é de R$ 33.763. De acordo com Renan, o debate sobre o tema é necessário especialmente em um momento em que o governo defende medidas para equilibrar as contas públicas, como a reforma da Previdência e a PEC do teto dos gastos.
 
Porém, o mais interessante é que ainda não houve qualquer movimento no sentido de se reduzir ainda mais os gastos com a máquina administrativa federal e com o Congresso Nacional. Há propostas reduzindo à metade o número de deputados e cortando 1/3 dos senadores (passariam a ser dois por Estado, ante os três atuais) que dormitam nas gavetas dos congressistas. A redução dos benefícios pagos aos parlamentares também é uma reivindicação dos eleitores que nunca passou pela cabeça daqueles que foram eleitos para representar os interesses do País. Com estas medidas, haveria uma economia considerável, capaz de tirar das costas da maioria dos brasileiros o peso de uma crise que eles não criaram. Neste caso, o espírito público e o desapego deveriam mover nossos congressistas. Mas a Operação Lava Jato mostra que, hoje, isso não passa de uma utopia que só poderá se realizar em caso de pressão popular. Cadê o pessoal que foi às ruas nos últimos anos?
 
 
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