A vitória do imponderável


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A vitória do candidato republicano Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos, que parecia improvável até no dia do pleito, deixou o mundo todo boquiaberto. O anúncio da derrota da candidata democrata Hillary Clinton causou, num primeiro momento, muita perplexidade, seguida de turbulências nos mercados globais, derrubando bolsas e elevando o preço do dólar na maioria dos países do mundo. Trata-se de uma vitória do imponderável, já que ninguém sabe o que Donald Trump poderá fazer à frente da mais poderosa potência do planeta. A se fiar nas suas promessas de campanha, o comércio internacional pode ser prejudicado e as relações com os países latinos poderão ser cortadas, por causa da extrema rudeza como os imigrantes ilegais foram tratados pelo presidente eleito dos Estados Unidos durante a campanha eleitoral.
 
No discurso da vitória, Trump surpreendeu ao pregar a união nacional “para tornar os EUA grandes novamente”. Foi completamente na contramão de tudo o que vinha falando nos últimos meses. O mais marcante, porém, foram os prognósticos que apontavam para uma vitória apertada de Hillary: institutos de pesquisas e grandes jornais norte-americanos erraram feio ao não perceber a movimentação dos eleitores silenciosos que deram a vitória a Trump em Estados historicamente alinhados com o Partido Democrata. Nem a alta aprovação do presidente Barack Obama, principal cabo eleitoral da candidata democrata, conseguiu evitar a derrota. Até quem votou em Obama preferiu apostar no republicano, considerado xenófobo, machista, racista e segregacionista, entre outros sinônimos nada elogiáveis.
 
Durante todo o dia de ontem analistas tentavam explicar o fenômeno Trump que, contrariando tudo o que se acreditava, toma posse em janeiro como líder da maior economia do planeta. Ainda é impossível que se antecipe a sua atuação na Casa Branca. Se assumir as promessas de campanha, poderá mudar completamente a configuração do mundo, principalmente se insistir no protecionismo comercial, na barreira aos imigrantes e na aproximação com o igualmente polêmico líder russo Vladimir Putin. Outra promessa, aumentar os gastos com as Forças Armadas e retirar as tropas dos pontos onde apoia a OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte), pode provocar o desequilíbrio em países como Iraque, Síria e Afeganistão, onde a presença das tropas norte-americanas ainda garante uma certa estabilidade, mesmo que pequena. Donald Trump ainda é uma incógnita. O mundo espera é que os norte-americanos não se arrependam de ter escolhido como líder uma figura tão polêmica e sem qualquer tarimba para a diplomacia e para o diálogo.
 
 
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