Além da série de problemas que terá de enfrentar já a partir do primeiro dia de governo, o prefeito eleito de Franca, Gilson de Souza (DEM) vai precisar tomar um posicionamento quanto ao saturado trânsito na área urbana do município, buscando contar com a assessoria de um engenheiro de trânsito que dê ordem ao caos instalado por aqui. Com praticamente um carro para cada dois habitantes, a cidade carece de uma ampla radiografia que permita que seja feito um planejamento capaz de amenizar a situação. Que Gilson pretende revogar o corte de vagas de estacionamento no centro, determinado por Alexandre Ferreira (PSDB), é preciso fazer mais para acabar com os gargalos e armadilhas que a maioria de nossas ruas, estreitas, interpõem aos condutores francanos.
Nos últimos anos, a falta de um especialista em tráfego está sendo bastante danosa. Nunca houve qualquer preocupação com o futuro. As ruas do centro que eram funcionais para o trânsito de mais de 50 anos atrás, tornaram-se desafios para qualquer administrador público. Neste tempo todo, houve tentativas de resolver a questão, mas o crescimento da frota automotiva extrapolou qualquer expectativa otimista. E vários erros ainda continuam sendo cometidos, tornando a questão ainda mais séria. A instalação de semáforos em cada esquina não é a solução. Ainda mais quando não há uma sincronia entre eles. Muito menos lombofaixas a granel. Metrópoles como São Paulo criaram um rodízio de veículos de acordo com a terminação das placas. Mesmo assim, não houve queda significativa dos congestionamentos gigantescos em pontos específicos, como as avenidas marginais (Tietê e Pinheiros) e a Paulista. Franca caminha para o mesmo dilema. Não será tirando carros de circulação que o trânsito vai melhorar. Nem acabando com vagas de estacionamento sem que seja criada uma alternativa.
Em razão do forte comércio instalado na região central da cidade, dificilmente o francano deixará de passar por ali. Por isso, é necessário que Gilson de Souza busque um profissional, de preferência engenheiro, especializado em tráfego não apenas para encontrar soluções imediatas, mas também traçar um panorama para os próximos anos. A topografia e o perfil urbano da cidade praticamente inviabilizam a possibilidade de Franca ter alternativa de transporte público que não sejam os ônibus. Sem dispender fortunas para desapropriar imóveis, não há forma como trazer o transporte ferroviário para interligar bairro e centro da cidade. Assim, um profissional especializado em trânsito urbano seria capaz de elaborar alternativas para resolver este grande problema que está caminhando para se tornar insolúvel.
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