Embora tenha um dos maiores PIBs do mundo — hoje o nono, mas já fomos o sexto — o Brasil enfrenta dificuldades típicas de nações em desenvolvimento. Na educação não do que nos orgulhar, anos luz distantes de índices mundiais em desempenho de alunos, seja em matemática, ciências ou compreensão de textos. Quanto mais dificuldades na educação, mais distantes estaremos de patamares positivos de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.
Pensar em reforma educacional é, sem dúvida, prioridade. Há que se buscar um currículo coerente com o atual modelo social e que se aproxime dos anseios dos adolescentes, estimulando um cabedal variado de habilidades. Nos últimos anos avançamos na alfabetização, com mais de 90% das crianças matriculadas nas escolas. No entanto, a qualidade de ensino é tão preocupante que gera estudantes de curso superior classificados como analfabetos funcionais. Por isso, a reforma tem que ser plena no ensino médio, contemplando disciplinas que deem ênfase ao mercado de trabalho. Na maioria das matérias da atual grade curricular, o estudante não faz ideia por que as estuda.
Investir em cursos profissionalizantes também é bandeira importante para acelerar formação de jovens para o trabalho, aspiração, principalmente, das camadas mais carentes. Anda estamos longe de atingir níveis de países mais desenvolvidos. Há déficit de profissionais qualificados, Quando o país crescer, será ainda mais enfático, quase igual à época em que tivemos de importar profissionais de outras nações. Mesmo com bons salários, empresas não preenchem vagas por falta de qualificação. Cada vez mais perdemos em competitividade internacional.
Com jovens bem formados, a criatividade para soluções inovadoras vai aparecer com mais constância. E quem tende a ganhar com isso somos todos nós. Temos de criar condições para que a juventude possa traçar um caminho de sucesso no mercado de trabalho, fruto de uma formação eficiente, associada à prática do estágio e da aprendizagem.
Luiz Gonzaga Bertelli - Presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).
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