Segundo anotação no Evangelho de Matheus, capítulo VIII, versículo 22, Jesus dissera a certo candidato que manifestara o desejo de segui-Lo que tomasse suas coisas e O acompanhasse.
Entretanto, o pretendente ao sublime empreendimento adiantou, preocupado: ‘preciso, primeiro, enterrar meu pai’, a que o Mestre redarguiu: ‘deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos’.
Lendo Carlos Torres Pastorino, no volume IV de sua preciosa obra Sabedoria do Evangelho, restamos surpreendidos com duas variantes para o entendimento da proposição do jovem. A primeira, aguardar o desenlace do pai, idoso, para, só depois, seguir o Mestre. A outra é a de que o velho já falecera e aguardava sepultamento.
Raciocinando com reconhecida lógica, o professor Pastorino prefere a primeira hipótese, posto que, se o pai do jovem estava sendo velado, este estaria sem razão circunstancial para buscar Jesus.
Quanto à recomendação do Divino Mestre ‘deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos’, caberia perguntar se Ele sugeria ao moço o simples desprezo do corpo inanimado de seu genitor, o que nos parece inadmissível.
Aceitável, contudo, que Jesus aproveitava a oportunidade para lembrar-nos de que há ‘mortos’ para as coisas do espírito. Apegados aos interesses materiais, são insensíveis à realidade espiritual.
Quantos há que são mortos na posse, no orgulho, no egoísmo, na vaidade, no crime... e não cogitam do lado transcendente do espírito imortal?
Talvez, aquele pretendente à vereda luminosa estivesse preso em faixa mental característica dos mortos-vivos, razão de haver o Mestre recomendado o estranho expediente.
Vale dizer, faltava àquele homem a maturidade espiritual exigida para a condição de discípulo de Jesus.
Quantos de nós nos achamos envolvidos pela materialidade, incapazes de assumir as verdades do plano da luz?
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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