Quando se fala em política e políticos, o brasileiro já torce o nariz. A verdadeira rejeição pode ser vista nas últimas eleições, onde o nível de abstenção bateu níveis históricos. O mesmo ocorreu com os votos brancos e nulos. Foi um claro recado àqueles que se apresentam para representar o brasileiro nos diversos níveis dos Poderes Executivo e Legislativo: a maioria da população brasileira não está satisfeita com os seus representantes eleitos. Candidatos com longo histórico, que fazem da política uma profissão, foram derrotados. Outros, sem qualquer tradição, conseguiram se eleger. Foi o caso de João Dória (PSDB), que venceu em primeiro turno no maior colégio eleitoral do País (a capital do Estado de São Paulo), um resultado histórico e que deve ser considerado como um alerta para aqueles que se acostumaram com as “carteiradas” e mordomias custeadas pelo dinheiro do contribuinte.
Até há pouco tempo muitos destes políticos consideravam seu cargo como um salvo conduto para agir até fora da lei, como se integrassem uma casta a quem se permite tudo. A falta de ética e de espírito público criou grande ceticismo entre os brasileiros que hoje colocam a classe política como pouco confiável. Há momentos em que o político lança mão de atos que, mesmo legais, são considerados imorais e que não deveriam ser praticados. É o caso da chamada ‘farra das passagens’, quando parlamentares usaram bilhetes aéreos pagos com o dinheiro do contribuinte para viagens de lazer com familiares, amigos e assessores. Por causa disso, o Ministério Público Federal denunciou 443 ex-deputados federais. Ontem, o MP enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) e para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) as investigações contra 219 deputados, senadores, governadores e ministros do Tribunal de Contas da União.
Marco Aurélio Ubiali (PSB), que disputou as eleições para prefeito de Franca no mês passado, era deputado e teve o nome incluído na lista dos parlamentares que pagaram passagens internacionais com dinheiro da Câmara Federal. Seis pessoas — entre familiares e assessores — teriam sido transportadas em 11 voos para os Estados Unidos, Itália e Alemanha. Em sua defesa, Ubiali disse ao Comércio que não cometeu nenhuma irregularidade. Para ele, não houve nada de ilícito. “Era a regra da época”, garantiu. Uma resposta de quem não enxerga limites entre licitude e moralidade. O que poderia ser lícito (o MP não acha) extrapola os limites da ética e da moral, uma vez que o homem público precisa demonstrar probidade a todo o momento, reconhecendo que o dinheiro dos cofres públicos vem do contribuinte, o qual continua pagando por mordomias e benefícios que se tornam acintosos para um País como o nosso, tão cheio de contrastes e diferenças.
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