Panfleto antigo, dobrado, guardado na caixa de recordações. Desde quando é impossível concluir. Só dá para saber que é da segunda década do século passado. Quase cem anos. Numa quarta-feira, dia 5 de junho de 1929, no cinema Odeon, que não é o antigo cinema de mesmo nome de Franca, Lia Torá poderia ser vista com artistas como Mary Astor, atriz principal de O falcão maltês, filme feito sob inspiração de romance de mesmo nome escrito por Dashiell Hammett, considerado o mais famoso romance policial do século XX. Lia Torá foi bailarina e artista brasileira carioca que começou sua carreira como parte do elenco da renomada Companhia Velasco de teatro de revista. Ao vencer Pagu – escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira – em concurso de fotogenia patrocinado pela Fox no Brasil como prêmio, foi a Hollywood participar de filmes daquele estúdio. Em 1927. Era casada com rico industrial que sempre a acompanhou e apoiou. Naquele ano de sua chegada estreou na comédia The Low Neck, nunca exibido no Brasil. Em 1929 faz o filme The Veiled Woman, cuja trilha sonora foi composta por Plínio de Brito, talvez o primeiro compositor brasileiro a fazer música com essa finalidade. Com a chegada do cinema falado, sua carreira chegou ao fim porque ela não falava inglês. Sua última aparição durou alguns segundos no filme As Confissões de Frei Abóbora.

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